Coronavírus. Repatriados portugueses "encontram-se bem" e "tranquilos"

O grupo de 18 portugueses e duas brasileiras vindos da China, que chegou a Portugal no domingo à noite, não apresenta quaisquer sintomas de coronavírus. "Encontram-se bem", garantem as autoridades de saúde, que ainda não sabem quando serão repetidos os testes para detetar o novo vírus.

"Neste momento, não há elementos do estado clínico a assinalar", garantiu a ministra da Saúde, esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa sobre os cidadãos que chegaram este domingo à noite a Lisboa, vindos de Wuhan, o epicentro do coronavírus. Os cidadãos encontram-se "tranquilos", sem sintomas coincidentes com os do coronavírus, apenas com um "cansaço natural após uma viagem muito longa". As autoridades de saúde encontram-se a avaliar a situação, estando agora preocupadas com a melhoria do conforto dos cidadãos repatriados. "As nossas instalações não são hoteleiras, mas queremos garantir aspetos de conforto. Estamos a dar-lhes livros, jornais e internet", apontou Marta Temido.

"Nenhuma destas pessoas desenvolveu sintomas compatíveis com a nova síndrome", confirmou a Graça Freitas, a Diretora-Geral da Saúde. "As pessoas encontram-se bem", sem apresentar febre, tosse ou problemas respiratórios. Podem conviver umas com as outras em espaços comuns, desde que utilizando máscaras bem aplicadas.

Um grupo de vinte repatriados chegou, ao aeroporto militar de Figo Maduro, este domingo, na sequência do surto de doença respiratória aguda pelo novo coronavírus (2019-nCoV), que teve origem na cidade chinesa de Wuhan e que já fez mais de 360 mortos e infetou 14 mil pessoas. Os testes laboratoriais preliminares aos portugueses vindos de Wuhan revelaram-se negativos, informou, esta segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS). Ou seja, atualmente não estão infetados pelo vírus, no entanto, permanecerão em regime de "isolamento profilático" voluntário e a ser acompanhados por dois médicos da Sanidade Internacional, que já fizeram a visita diária ao início desta tarde.

Segundo o presidente do Instituto Português Ricardo Jorge, Fernando Almeida, todas as pessoas estão a colaborar com as medidas propostas pelas autoridades de saúde. Já a Diretora-Geral da Saúde assinala que "este é o dia de todos os ajustes", uma vez que são as primeiras 24 horas que passam em solo luso e ainda estão a "adaptar-se a esta fase das suas vidas". Questionada sobre a periodicidade com que estas pessoas serão sujeitas a análises, Graça Freitas indicou que a DGS não tem um timming concreto definido. Há países que estão a proceder a estes teste com um intervalo de apenas 24 horas, outros de 72 e outros ainda quando detetam alguns dos sintomas. Portugal deverá seguir uma mistura de todas estas realidades, adequando o procedimento à medida que as autoridades de saúde considerarem conveniente. "Vamos tomando decisões quando nos parecer melhor", declarou.

O período de quarentena será de 14 dias, passados no Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar de Lisboa Norte) ou no Parque da Saúde de Lisboa. Os 18 portugueses (16 civis, dois diplomatas na China) e as duas brasileiras viajaram acompanhados por oito tripulantes e oito profissionais de saúde, estes da Força Aérea, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da equipa de Sanidade Internacional, coordenada pela DGS. À chegada do C-130 ao aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, por volta das 20:30, os passageiros foram deslocados para a sala de embarque para avaliar a sua história clínica e outros elementos.

Estas pessoas estão a ter um tratamento diferenciado de outras que possam ter vindo ou que venham da China, porque "viveram no epicentro da epidemia" e, por isso, têm uma situação "especial", de acordo com a Diretora-Geral da Saúde. Manifestaram-se, desde o primeiro momento, recetivos ao período de isolamento, que não está definido como obrigatório na lei portuguesa, mas que pode ser aplicado "se as circunstâncias o impuserem". "Se houver necessidade a lei permite o poder regulamentar excecional de em determinados casos proceder à separação de pessoas", salvaguardando as liberdades e as garantias de cada uma, explicou a ministra da Saúde.

Caso alguma destas pessoas venha a acusar positivo nas análises de despiste do vírus da China, poderá ter de recomeçar o período de quarentena e obrigar os outros cidadãos que com ela contactam a ficar na mesma situação. Em Portugal, não foi confirmado nenhum caso positivo de coronavírus, tendo já sido descartadas duas suspeitas, mas a tutela promete tudo estar a fazer para garantir que o protocolo é cumprido, que as forças de emergências têm equipamento e meios disponíveis para atuar e que podem ser acionadas respostas noutros pontos do país, que não Lisboa e Porto (onde estão atribuídos hospitais e ambulâncias especiais para agir neste caso). Para, esta terça-feira, está agendada uma reunião do Conselho Nacional de Saúde Pública, com o objetivo das diferentes autoridades refletirem sobre a capacidade de resposta de cada entidade.

Número de mortos sobe para 362

A pneumonia emergiu na cidade chinesa de Wuhan há um mês e foi provocada por um novo coronavírus, anteriormente desconhecido da ciência. Sobre a origem do vírus, batizado assim devido à sua forma que faz lembrar uma coroa, também ainda não há certezas. Sabe-se apenas que o surto emergiu a partir de um mercado de venda de peixe fresco, marisco e outros animais vivos, incluindo espécies selvagens, como morcegos e cobras.

O último balanço aponta para 362 mortos e mais de 14 mil pessoas infetadas. Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em 24 outros países, com as novas notificações na Rússia, Suécia e Espanha. A primeira vitima mortal fora da China foi anunciada este domingo, nas Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, na passada quinta-feira, uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla inglesa) por causa do surto do novo coronavírus na China.

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