Testes preliminares a portugueses vindos de Wuhan deram negativo

A Direção-Geral da Saúde informa que os testes laboratoriais realizados pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge aos 20 cidadãos repatriados por Portugal "foram todos negativos". Grupo vai permanecer em isolamento profilático.

Os testes laboratoriais que foram realizados aos portugueses vindos de Wuhan, cidade chinesa onde foi detetado o novo coronavírus, "foram todos negativos", informou esta segunda-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS).

"Os cidadãos vão continuar a ser acompanhados por dois médicos da Sanidade Internacional, que vão garantir a vigilância ativa duas vezes por dia e estarão sempre disponíveis para contacto", refere a DGS, em comunicado enviado às redações.

O grupo de repatriados chegou na noite de domingo ao aeroporto militar de Figo Maduro, Lisboa, na sequência do surto de doença respiratória aguda por novo coronavírus (2019-nCoV), que teve origem na cidade chinesa de Wuhan e que já fez mais de 360 mortos e infetou 14 mil pessoas. Quando chegaram a Portugal foram avaliados pelos médicos da Equipa da Sanidade Internacional.

Foram instalados "em instituições dedicadas para o efeito no Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar de Lisboa Norte) e no Parque da Saúde de Lisboa, onde irão permanecer em isolamento profilático durante 14 dias", refere a DGS. "À chegada a estas instalações, uma equipa do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) procedeu à colheita de amostras biológicas para testes laboratoriais".

Os resultados dos testes realizados pelo INSA foram negativos, pelo que no grupo de cidadão repatriados não há atualmente pessoas infetadas com o novo vírus.

Grupo de cidadãos repatriados fica em "isolamento profilático"

Segundo as autoridades portuguesas, o grupo é composto por 20 elementos - 18 civis (16 portugueses e dois brasileiros) e duas pessoas do corpo diplomático. Viajaram acompanhados por oito tripulantes e oito profissionais de saúde, estes da Força Aérea, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da equipa de Sanidade Internacional, coordenada pela Direção-Geral de Saúde (DGS).

À chegada do C-130 ao aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, por volta das 20:30, os passageiros foram deslocados para a sala de embarque para avaliar a sua história clínica e outros elementos.

"Por razões de segurança, para os próprios e para a comunidade, durante os próximos 14 dias, todo o grupo ficará em isolamento profilático. Esta opção fundamenta-se na fase epidérmica em que nos encontramos a nível internacional, fase de contenção, está em linha com o que está a ser realizado por outros países e contou com a aprovação dos nossos concidadãos", salientou, no domingo, a ministra da Saúde Marta Temido, em conferência de imprensa no Ministério da Saúde após a chegada do avião.

Também esta segunda-feira foram conhecidos os resultados dos testes feitos ao grupo de repatriados que veio no mesmo voo que transportou os cidadãos portugueses da China. As análises deram negativo para a presença de coronavírus nas cerca de 20 pessoas que chegaram a França através de um segundo voo de repatriamento.

Trinta e seis pessoas a bordo apresentaram sintomas do coronavírus, disse a ministra da Saúde Agnes Buzyn no domingo. Dezasseis deles foram transportados de volta para seus respetivos países, mas cerca de 20 ficaram no aeroporto de Istres, no sul da França, para serem submetidos a mais testes. No grupo estavam cidadãos franceses e não europeus.

"Todos estes testes deram negativos e, portanto, todas essas pessoas puderam ir aos (dois) centros" no sul da França, onde vão permanecer em quarentena por 14 dias, disse esta segunda-feira o secretário de Estado da Saúde francês, Adrien Taquet, à BFMTV.

Os testes foram realizados nas "pessoas que quando embarcaram no avião apresentavam alguns sintomas", semelhantes aos de um resfriado, e "tiveram que ser verificadas quando o avião aterrou", disse Taquet.

Número de mortos chega aos 362

O novo coronavírus já provocou 362 mortos e infetou mais de 14 mil pessoas desde o passado mês de dezembro, quando surgiu em Wuhan, capital da província de Hubei, na China.

As Filipinas anunciaram no domingo a morte de um cidadão de nacionalidade chinesa, vítima de uma pneumonia causada pelo coronavírus, a primeira vítima fatal fora da China.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em 24 outros países, com as novas notificações na Rússia, Suécia e Espanha.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla inglesa) por causa do surto do novo coronavírus na China.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG