Uso de máscaras alargado a cuidadores informais, bombeiros e profissionais de morgues

A DGS publicou esta sexta-feira novas orientações para o uso de máscaras, alargando-as a novos grupos de risco, cuidadores informais, bombeiros e profissionais de morgues. "Sempre dissemos que se houvesse evidências novas, agiríamos", disse a diretora-geral de Saúde na conferência de imprensa de avaliação da situação.

O uso de máscaras deixa de estar restrito a profissionais de saúde. Esta sexta-feira, a Direção-Geral de Saúde publicou no seu site, uma nova orientação onde refere que o uso de máscaras deve passar a ser utilizado "por pessoas que não são profissionais de saúde, partindo do princípio que o seu uso deve ser responsável e adequado à atividade profissional e ao risco de exposição, alargando o seu uso a grupos de população que exercem determinadas funções e que prestam determinados cuidados, como cuidadores informais, bombeiros, funcionários de morgues e doentes imunossuprimidos.

Ao final da manhã, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, argumentou aos jornalistas que sempre tinham dito que se houvesse novas evidências, agiriam. E aconteceu. O DN publicou esta semana informação neste sentido, que o uso de máscaras iria ser alargada a outros grupos de população e a outras atividades que não fossem só as das áreas da saúde.

No entanto, e como referia a peça do DN, "a utilização de Equipamento de Proteção Individual não dispensa o cumprimento das Precauções Básicas de Controlo de Infeção e de outras medidas entre as quais a etiqueta respiratória e o distanciamento social", sublinha o documento no site da DGS, lembrando ao mesmo tempo que "os profissionais de saúde são prioritários para o fornecimento e utilização" destes equipamentos.

Até agora, Portugal tem seguido as orientações da Organização Mundial de Saúde, que desaconselha o uso generalizado de máscaras. E esta orientação, apesar de alargar o grupo de pessoas que a devem usar, por poderem correr maior risco, não muda a alteração inicial.

Esta semana o diretor do Programa Nacional de Infeções com Resistência e Antimicrobianas, José Artur Paiva, explicava ao DN que esta situação é para manter, pois o importante em relação a este vírus é o isolamento social.

A DGS mantém ainda o uso de máscara cirúrgica para "todas as pessoas com sintomas de infeção respiratória que estão em contacto com outras pessoas, bem como para todas as pessoas no interior de instituições de saúde".

A partir daqui a recomendação vale também para "os doentes imunossuprimidos (em hemodiálise, oncológicos sob quimioterapia ou radioterapia, com imunodeficiências, sob terapêutica imunossupressora), nas deslocações esporádicas fora do domicílio".

De acordo com a orientação, a utilização de EPI fora das instituições de saúde é aconselhada para pessoas que possam contactar diretamente com doentes suspeitos ou confirmados de COVID-19," como cuidadores informais e pessoas que acompanhem doentes no domicílio, entre outros".

A questão se o uso de máscaras deve ou não ser generalizado tem dividido autoridades de saúde e comunidade científica. Há quem defenda que nesta matéria a situação deve ser enquadrada como qualquer outra pandemia, e há quem defenda que não. Ou seja, que a covid-19 é uma doença nova e que tem de ser tratada neste aspeto como tal.

Aliás, frequentemente são dados os exemplos da Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Singapura e Hong-Kong, onde o uso de máscara generalizado foi uma das medidas obrigatórias desde o inicio da epidemia naqueles países e tem estado a dar resultados.

Esta semana, o diretor do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA admitiu estar a analisar a situação a situação e reverter a orientação inicialmente assumida, que era a de não ao uso generalizado de máscaras.

Na Europa, a República Checa é também dado como exemplo, pois foi o primeiro no Ocidente a assumir esta medida. Agora, já foi seguida pela Áustria, que obriga a este uso sempre que se frequentar estabelecimentos alimentares, Eslovénia e Eslováquia.

Em relação a Portugal e ao resto do mundo, há uma preocupação em relação a esta matéria. E isso mesmo está salvaguarda na orientação divulgada hoje pela DGS. "Em função da disponibilidade, na fase de mitigação pode considerar-se o fornecimento e utilização de EPI, na comunidade, por outros profissionais que prestam serviços comunitários essenciais à vida das populações, como bombeiros, profissionais e voluntários em lares, profissionais das morgues, entre outros descritos no anexo que acompanha a orientação".

Por fim, o documento estabelece os passos que devem ser seguidos para uma correta utilização de máscaras cirúrgicas, como a higienização das mãos antes de a colocar e a sua substituição assim que se encontre húmida, entre outros.

Esta nova orientação surge no dia em que Portugal já regista 246 mortes e 9886 mortos, registando pela primeira vez um óbito no Alentejo.

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