Caudal do Mondego está a baixar mas ainda preocupa autoridades

O dique que ameaçou ruir logo ao início da tarde deste domingo colapsou mesmo. Com a previsão do tempo a indicar ausência de precipitação espera-se a redução do leito do rio Mondego nos próximos dias.

O distrito de Coimbra é aquele que ainda causa maior preocupação à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), apesar de o número de ocorrências ter "baixado significativamente", esperando-se a redução do leito do rio Mondego nos próximos dias.

De acordo com a previsão do IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera), o mau tempo despediu-se no domingo para dar lugar, esta segunda-feira (23 de dezembro), a dias sem precipitação ou vento forte e em que as temperaturas estarão "acima da média do que é normal para esta época". Não é esperada chuva para o dia de Natal.

Segundo o comandante Carlos Pereira, da ANEPC, que falava à Lusa perto das 10:00, "neste momento o número de ocorrências diminuiu significativamente, tendo-se registado nas últimas 12 horas 11 ocorrências".

"Não se pode dizer que está a voltar à normalidade, nem nada que se pareça, mas o leito do rio Mondego está a reduzir em toda a área envolvente à bacia do rio, o que está a ajudar as populações em redor a retomar a sua normalidade", afirmou Carlos Pereira, reconhecendo, no entanto, a existência de "situações pontuais".

De acordo com o responsável, o distrito de Coimbra "é o que está a causar maior preocupação", mas há ainda a situação do desaparecimento de um operador de uma máquina em Castro Daire, distrito de Viseu.

"A nível de inundações será sem dúvida todo o distrito de Coimbra na área do Mondego, tudo que envolve a bacia do Mondego, mas que está a baixar o nível e a ajudar a tentativa de repor a normalidade em todos os municípios à sua volta", reconheceu.

O dique do leito periférico direito do rio Mondego colapsou mesmo este domingo. Eram cerca das 22:00. A informação foi confirmada pelo presidente da autarquia, Emílio Torrão, que desde sábado acompanha todos os trabalhos da proteção civil na região. A situação veio fazer com que os trabalhos de reforço dos diques em rotura se estendessem pela noite dentro.

Aos jornalistas, o autarca de Montemor-o-Velho disse já ter informado o ministro do Ambiente sobre a situação, dando conta de que os trabalhos de reforço deste dique e de um outro, onde houve também uma rutura, vão continuar e são agora a prioridade. Emílio Torrão referiu ainda ter pedido ao governante para que solicitasse à EDP para não realizar descargas de água para que a situação comece a normalizar.

Segundo explicou, o objetivo é evitar que as águas subam e inundem a zona baixa da vila de Montemor-o-Velho. Neste momento, aquilo que há a fazer é avaliar e monitorizar as duas situações de rutura para se as águas subirem se tomarem decisões sobre o que fazer.

Emílio Torrão referiu ainda que, por agora, "a situação está estável", não havendo necessidade de se "procederá à evacuação de mais população". "Esta água vai voltar de novo ao rio Mondego", frisou

Carlos Luís Tavares, Comandante Operacional Distrital (CODIS) de Coimbra, explicou aos jornalistas que o que está a ser feito resulta na criação de "um mecanismo de defesa na margem oposta [àquela onde foi identificado o deslizamento de terras]. Ou seja, de resistência, através de pedra, através de tela e de `bigbags´ [sacos] de areia, para impedir a subida das águas" .

Ao início da tarde a rotura iminente do dique obrigou à evacuação da zona baixa da localidade do Casal Novo do Rio. A população de Montemor-o-Velho não esquece que nas cheias de 2001, a rotura dos diques do leito periférico direito destruiu a ponte das Lavandeiras e inundou a vila e a povoação de Ereira.

À noite, a situação mais preocupante era a do distrito de Coimbra, pois as situações registadas nos rios Douro, Tâmega, Tua e no Tejo já se encontravam estáveis e a tender para a normalidade. "Os caudais estão a recuperar aquilo que são os seus limites normais", afirmou o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Duarte Costa, na conferência de imprensa das 20:00, em que foi feito o balanço deste domingo.

Na conferência foi ainda referido que só se registaram 408 ocorrências, o que significa que "se está a voltar à normalidade", sublinhou o comandante. Para já permanecem 144 pessoas desalojadas e 352 deslocadas preventivamente, a maioria decorrente da subida do caudal do rio do Mondego.

Questionado pelos jornalistas sobre a decisão de não terem sido enviados SMS de alerta aos cidadãos sobre os riscos da depressão Elsa e Fabien, Duarte da Costa respondeu que a Proteção Civil optou por "meios mais eficazes".

"O SMS está a funcionar, é um meio credível, mas achámos que não seria o meio ideal. Dois dias antes da chegada da depressão Elsa reunimos e decidimos que haveria outros meios mais eficazes, que poderiam passar mensagens efetivas", justificou.

A decisão de não utilizar SMS de alerta à população antes e durante as depressões Elsa e Fabien tinha sido noticiada pela edição de hoje do Jornal de Notícias.

Desde quarta-feira e até este domingo, o mau tempo provocado pela depressão Elsa e depois pela depressão Fabien, já provocou 11 600 ocorrências - entre inundações, condicionamentos na circulação rodoviária, danos na rede elétrica, o que afetou a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

No entanto, a previsão do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) aponta para uma melhoria do estado do tempo já a partir desta segunda-feira, com as temperaturas a subir, mais do que o normal para a época, e o regresso do sol.

Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho já está submerso

O Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho está submerso por uma camada de cerca de dois metros de água, sendo, para já, incalculáveis os prejuízos materiais para a federação de canoagem (FPC) e autarquia.

"Infelizmente, as previsões confirmaram-se e o CAR está totalmente submerso. Uma altura de cerca de dois metros de água dentro dos hangares. Há elevados danos nas infraestruturas, como a torre de controlo, torre de chegada, hangar, ginásio...Só quando a água baixar conseguiremos avaliar os prejuízos", disse à agência Lusa o vice-presidente da FPC, Ricardo Machado.

O dirigente tem estado desde sábado no CAR "a tentar proteger alguns bens", juntamente com alguns funcionários e técnicos da federação, que teve parte das equipas seniores e sub-23 em estágio precisamente até sábado.

Quercus diz que cenário de cheias no Baixo Mondego era previsível

A associação ambientalista Quercus disse neste domingo que já em 2018 tinha antecipado um cenário de cheias no Baixo Mondego, devido à deposição de inertes após as obras de desassoreamento da albufeira do açude-ponte em Coimbra.

"Era um cenário que antecipámos. Lamentavelmente, os alertas de nada serviram e centenas de pessoas veem as suas casas em risco", refere a associação, numa nota enviada à agência Lusa.

No documento, a Quercus anexa um comunicado divulgado em 25 de julho de 2018, com o título "Construção de aterro do rio Mondego é um absurdo - Quercus alerta para o risco de cheias no baixo Mondego".

Nesse comunicado, a Quercus dizia que "o gigantesco aterro que está a ser efetuado no rio Mondego vai provocar graves problemas em termos de retorno das cheias e assoreamento do rio, com prejuízos para todo o vale do Mondego a jusante de Coimbra, nomeadamente para a produção agrícola e nas localidades ribeirinhas".

Linha do Douro volta a ser cortada

A linha do Douro está interrompida desde as 18:40 deste domingo, entre Ermidas e Aregos, devido ao choque de um comboio regional com uma pedra que se encontrava na via, informou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Fonte da IP explicou à Lusa que o choque levou a que um dos conjuntos de rodas (bogie) de uma das composições do comboio se desencaixasse, provocando a sua imobilização.

"Neste momento a nossa prioridade é retirar todos os passageiros e iniciar os trabalhos de reparação. Não sabemos quanto tempo irá demorar", referiu a mesma fonte, ressalvando que deste incidente não resultaram feridos.

Linha da Beira Alta foi retomada

A circulação de comboios na linha da Beira Alta, entre Muxagata e Fornos de Algodres, foi retomada às 17:10 de domingo, depois de ter estado interrompida, devido a uma pedra de grandes dimensões, informou a Infraestruturas de Portugal (IP).

Este troço ferroviário da linha da Beira Alta, no distrito da Guarda, estava interrompido desde as 10:53, de acordo com fonte oficial da IP.

O corte na circulação ao quilómetro 155, entre Muxagata e Fornos de Algodres, deveu-se a uma pedra de grandes dimensões que se encontrava na via.

Entretanto, pelas 17:40, em declarações à agência Lusa, fonte da IP referiu que o ramal de Alfarelos, que liga aquela localidade à cidade de Figueira da Foz, é a única que permanece encerrada.

EDP prevê resolver falhas de eletricidade até segunda-feira

A EDP Distribuição prevê resolver até segunda-feira todas as falhas de eletricidade nas redes de alta e média tensão provocadas pelo mau tempo, sem previsão ainda para a resolução na baixa tensão, informou a empresa este domingo.

Em declarações à Lusa, a diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio, adiantou que no sábado ficaram resolvidas as situações decorrentes da depressão Elsa, mas a partir do meio da tarde de sábado e durante a madrugada de domingo "houve muitos incidentes" provocados pela depressão Fabien, sobretudo nos distritos de Vila Real e Viseu.

"As equipas continuam a trabalhar no sentido de resolver as situações, mas há muitas dificuldades de mobilidade devido às inundações e à queda de árvores", explicou Fernanda Bonifácio.

Retirados 100 animais do canil municipal de Coimbra

A Câmara de Coimbra retirou mais de uma centena de animais do canil municipal, "por força da subida do caudal do rio Mondego", alguns foram recolhidos para famílias de acolhimento.

"Por força da subida do caudal" do Mondego, a Câmara de Coimbra evacuou, no sábado, o canil municipal, "transportando mais de uma centena de animais" para os armazéns do antigo quartel militar do Centro de Instrução de Condução Auto (CICA 4), anunciou hoje a autarquia numa nota enviada à agência Lusa.

"Foi providenciada alimentação, luz, água e assistência médico-veterinária" para os animais recolhidos nos antigos armazéns militares, que se situam junto ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, com entrada contígua à igreja de Nossa Senhora da Esperança.

Circulação entre Cartaxo e Salvaterra continua suspensa

A circulação na ponte Rainha D. Amélia, que liga os concelhos do Cartaxo e de Salvaterra de Magos, Santarém, vai continuar interdita até que as condições de segurança estejam verificadas, decidiu este domingo a Proteção Civil local.

A ponte tinha sido interdita à circulação na sexta-feira devido ao mau tempo. Na noite de domingo, numa reunião extraordinária da Comissão Municipal de Proteção Civil, no Cartaxo, foi decidido manter a suspensão da circulação "até que a regularização dos caudais do rio Tejo e as condições de segurança estejam verificadas", refere um comunicado da autarquia.

O presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, explicou que "neste momento" ainda não existem "todos os dados técnicos necessários" que permitam retomar a circulação na ponte em condições de segurança.

[última atualização: 23.30]

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