Remessas de máscaras enviadas por Macau esbarram na alfândega portuguesa

Portugueses a residir em Macau e que enviaram máscaras para amigos e familiares em Portugal, queixaram-se esta quarta-feira à Lusa da retenção das remessas pela alfândega portuguesa e do preço exigido para as libertar.

A indignação tem sido expressa em diversas publicações nas redes sociais, tanto em Portugal, como em Macau, com algumas pessoas no antigo território administrado por Portugal a conseguirem até aqui contornarem o problema ao enviarem remessas à boleia de alguém que viajasse para território português, antes das restrições dos voos anunciadas na terça-feira pelo Governo português.

"O que me informaram aqui nos correios é que havia excesso de encomendas a irem para Portugal, de máscaras, muitas delas não chegavam lá, ficavam retidas na alfândega e tinham de pagar à volta de 90 euros porque estavam a considerar que estávamos a fazer negócio com as máscaras", disse hoje à Lusa Fátima Coelho, residente em Macau.

"O que é falso, porque nós estamos é muito preocupados com os nossos familiares, com todos os portugueses que estão em Portugal, que não usam máscara, que estão mal informados, e é uma das maneiras que temos de ajudar", explicou a portuguesa, que conseguiu garantir o envio através de um amigo.

Andreia Costa, que tem uma filha em Portugal, e que tem sentido "dificuldades em arranjar as máscaras", está a tentar perceber qual a melhor forma de lhe fazer chegar este material de prevenção. "Se isto não for bem esclarecido e tivermos essa dificuldade, e se nos impõem esse tipo de restrição, [isso] dificulta a nossa ajuda para com os outros, para com os nossos familiares do outro lado do mundo", sublinhou a residente de Macau.

Já Odete Sequeira queixava-se dos preços praticados logo nos correios, mesmo desconhecendo o que iria suceder quando a encomenda chegasse à alfândega portuguesa. Ao regressar esta manhã dos correios, onde pagou mais de 20 euros para enviar uma remessa de 60 máscaras (cujo preço unitário ronda os dez cêntimos nas farmácias convencionadas em Macau), questionava a dependência portuguesa de materiais de prevenção. ​​​​​​​"Se calhar o preço da prevenção não é tão exorbitante no que resulta pela falta dela. Se calhar temos de ter outra atitude. O Governo em Portugal tem de ser muito mais interventivo e muito mais preventivo e tentar ser o mais autossuficiente [possível]", sustentou.

Odete Sequeira, tal como muitos que integram comunidade portuguesa, tentou fazer chegar máscaras a Portugal, junto de familiares, num momento em que o material escasseia em território português. ​​​​​​​ "Eu debato-me com um problema sério, que é uma mãe com 90 anos que está num lugar de risco, e um filho com 26 [ambos em Portugal] que, naturalmente, não encara estas dificuldades como eu encaro, como a minha mãe encara, como as pessoas com mais experiência de vida encaram", explicou.

"Quando apareceu aqui, acreditando que se ia propagar a todos os países porque o mundo é um lugar global, hoje em dia, sugeri-lhe [ao filho] que comprasse: foi à farmácia uma primeira vez, comprou dez, acabaram as máscaras, comprou uma outra, que pode ser reutilizada, e estagnou por aí", salientou.

Macau foi dos primeiros territórios a ser afetado pelo coronavírus, uma cidade com 30 quilómetros quadrados que recebeu no ano passada mais de 39 milhões de visitantes, a esmagadora maioria da China continental.

O Governo adotou medidas drásticas, fechou escolas, casinos e enviou funcionários para casa, em regime de teletrabalho.

Esta quarta-feira, o Governo de Macau anunciou um novo caso importado de infeção pelo novo coronavírus. Este é o 14.º caso confirmado em Macau. Depois de 40 dias sem novos casos de Covid-19, Macau registou entre segunda-feira e quarta-feira quatro novos casos importados, um de Portugal, um de Espanha, outro do Reino Unido e agora da Indonésia.

Em Macau está em vigor, a partir desta quarta-feira, o fecho quase total das fronteiras do território, onde só é permitida agora a entrada dos residentes de Macau, da China continental, Hong Kong e Taiwan e dos trabalhadores não residentes de Macau.

Já em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

O surto espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.503 mortes para 31.506 casos, o Irão, com 988 mortes (16.169 casos), a Espanha, com 491 mortes (11.178 casos) e a França com 148 mortes (6.633 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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