Ordem acusa autoridades de saúde de "incapacidade de antecipação" na Grande Lisboa

Bastonário dos médicos diz que os profissionais de saúde deixaram de ser ouvidos nas decisões sobre o combate à pandemia, referindo-se a um "excesso de otimismo" por parte do Governo, depois dos bons resultados iniciais.

A Ordem dos Médicos responsabiliza as autoridades nacionais de saúde pelos "números preocupantes" de novos casos de covid-19 na região de Lisboa e a Vale do Tejo. O bastonário Miguel Guimarães fala em "incapacidade de antecipação" do cenário pós confinamento.

"É urgente antecipar e não correr atrás do prejuízo, o que implica ter a humildade de ouvir os profissionais de saúde agora, como foi feito no início", diz o especialista, em comunicado enviado às redações, este sábado. Miguel Guimarães reforça que muitas das medidas adotadas quando o vírus SARS-CoV-2 chegou a Portugal foram fruto de um diálogo entre as autoridades e a sociedade civil, método que considera ter sido ultrapassado, referindo que o próprio gabinete de crise da Ordem dos Médicos deixou de ser considerado. "Houve um excesso de otimismo", diz.

O representante dos médicos aponta como exemplo a discussão sobre as medidas relacionadas com aeroportos, autocarros, comboios, ajuntamentos, reclamando mais clareza técnica nas recomendações. Miguel Guimarães argumenta com uma sondagem, realizada entre 9 e 13 de junho, que avalia quem esteve melhor no combate à pandemia, onde os profissionais de saúde aparecem à frente, com quase 80% das 610 respostas com classificação máxima, distantes dos restantes intervenientes (Serviço Nacional de Saúde, Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministra da Saúde e Direção-Geral da Saúde).

"Esta é a melhor homenagem que podíamos receber à nossa capacidade técnica e competência, mas também à dedicação, resiliência, humanismo e solidariedade. É uma sondagem que nos deixa orgulhosos, sobretudo em tempos tão difíceis, e não podia deixar de saudar todas as pessoas que fazem o nosso país pelo respeito e consideração demonstrados", aponta o bastonário.

A região da Grande Lisboa continua a ser o maior foco de preocupação nacional, concentrando a maioria dos casos diários registados em Portugal. No total tem agora 18 106 infetados e 457 vítimas mortais, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde, desta sexta-feira, que será atualizado hoje por volta da hora de almoço. Por isso, o Governo optou por manter a situação de calamidade em 19 freguesias da Área Metropolitana de Lisboa, quando o resto do país passa a estado de alerta. O que pressupõe ainda um dever cívico de recolhimento domiciliário, a proibição de feiras e mercados de levante e a impossibilidade de ajuntamentos com mais de cinco pessoas.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG