Maior parte dos doentes vai ser tratada em casa

Apenas 15 por cento dos portugueses infetados estão em internamento. Secretário de estado da saúde pede resposta "mais robusta" das pessoas. Idosos e doentes crónicos "têm mesmo" de ficar resguardados.

Com 785 casos de covid-19 confirnados em Portugal, o que representa um total de mais 143 infetados de quarta para quinta-feira, a diretora-geral da saúde, Graça Freitas, disse esta manhã que a forma de tratamento dos doentes com sintomas mais leves irá mudar.

"Serão tratados em casa, com serenidade", afirmou.

"A maior parte de nós vai poder seguir a sua doença no seu domicílio", acrescentou Graça Freitas.

Apenas 15 por cento dos portugueses infetados estão em internamento.

"Estamos a agir de acordo com a evidência científica que temos à data", adiantou ainda a responsável, quando questionada sobre os cuidados na proteção aos profissionais de saúde.

Graça Freitas disse que ainda esta quinta-feira será publicada uma norma com esta "evidência científica" que poderá ser consultada pelos profissionais de saúde.

"A ideia é proteger os profissionais de saúde - são um ativo importante - e impedir que contagiem outras pessoas".

"Quem está a a apresentar sintomas hoje, já foi infetado há 5, 6, 7 dias"

Foi ainda recordado, durante a conferência de imprensa, que muitos portugueses poderão já terão passado pela doença sem apresentarem sintomas, o que para a diretora-geral da saúde "é bom", uma vez que representa imunidade nestes casos e, em consequência, da população.

"Quem está a apresentar sintomas hoje, já foi infetado há 5, 6, 7 dias", frisou Graça Freitas.

Em Portugal, ainda só há três casos de pessoas curadas, uma consequência do facto da covid-19 ser uma doença "longa" no que diz respeito à recuperação.

"Ainda é muito cedo" para que os dois testes acusem negativo - o necessário para serem considerados curados, explicou Graça Freitas.

"Pessoas com sintomas leves podem contagiar outras pessoas"

Com os portugueses que apresentem sintomas mais leves da doença a serem tratados em casa, a responsável pela DGS avisou que, mesmo estes, têm de ter cuidado, uma vez que "pessoas com sintomas leves podem contagiar outras pessoas".

A diretora-geral da saúde diz ainda que Portugal está a aprender com outros países e que a DGS vai definir quem são os doentes prioritários para fazerem o teste à doença.

"Se pudermos alargar [os testes] alargaremos", acrescentou.

Se existirem óbitos em pessoas que não foram diagnosticadas antes da morte, será feito o teste à covid-19, se apresentarem um quadro sugestivo da doença, avançou Graça Freitas.

"Tem de haver uma resposta mais robusta das pessoas"

A frase é de António Sales, secretário de estado da saúde, esta manhã em conferência de imprensa. salientando que o estado de emergência que entrou em vigor à meia-noite, pede igualmente "uma resposta mais robusta das pessoas"

"Os grupos de risco têm mesmo de ficar em casa: pessoas com mais de 60 anos e doentes crónicos", frisou.

Os médicos de família estão a ligar para as pessoas, e António Sales aconselha a que ninguém se desloque aos centros de saúde.

Apelou ainda para que todos os profissionais de saúde assinalem se estão infetados.

Portugal está em estado de emergência, pela primeira vez em democracia, por causa da propagação do novo coronavírus.

O número de portugueses infetados continua a crescer de dia para dia. Nas últimas 24 horas, foram notificados mais 143 casos de covid-19 no país, elevando assim a contagem total para 785 infetadas, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta quinta-feira (19 de março).

Há três pessoas recuperadas e três mortes.

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