785 casos de covid-19 em Portugal. Só 15% dos doentes estão hospitalizados

Nas últimas 24 horas, morreu mais uma pessoa vitima do novo coronavírus, na região centro. A atualização é feita pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no boletim epidemiológico, desta quinta-feira.

Portugal está em estado de emergência, pela primeira vez em democracia, por causa da propagação do novo coronavírus. O número de portugueses infetados continua a crescer de dia para dia. Nas últimas 24 horas, foram notificados mais 143 casos de covid-19 no país, elevando assim a contagem total para 785 infetados, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta quinta-feira (19 de março). Há três pessoas recuperadas e três mortes, uma delas registada nas últimas horas, na região centro do país.

A maioria dos doentes apresentam sintomas ligeiros, por isso, estão a ser acompanhados a partir de casa pelo seu médico de família ou por equipas de hospitalização domiciliária. Estão internadas por causa do novo coronavírus, neste momento, 89 pessoas. Sendo que 20 encontram-se nos cuidados intensivos. "Em números redondos, estão internados cerca de 15% [dos doentes]. Isto quer dizer que a maior parte dos cuidados podem ser feitos no domicilio. Estamos a passar gradualmente dos cuidados nos hospitais de referência par outro modelo de atendimento em casa. Vamos confiar neste mecanismo. E se alguma destas pessoas agravar os sintomas irá para os cuidados de saúde", explicou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa, esta quinta-feira às 12:30.

Os modelos internacionais, já antes citados pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, apontam para que 80% dos infetados possam ficar em casa a recuperar, 15% poderão estar em enfermarias gerais e apenas 5% inspirarão maiores cuidados e precisarão ter de ser internados nos cuidados intensivos. "A ideia é proteger os profissionais de saúde - são um ativo importante - e impedir que contagiem outras pessoas", indicou Graça Freitas.

Há ainda 488 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais e 8091 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde. Estão ativas 24 cadeias de transmissão no país, tal como ontem, a maioria com ligações ao estrangeiro.

A região mais afetada do país continua a ser o Porto (381 casos), depois Lisboa (278). Seguem-se o centro (86), o Algarve (25), os Açores (3) e o Alentejo (2). Na Madeira, há uma pessoa infetada, uma turista holandesa. Estão também a ser acompanhados no país nove cidadãos estrangeiros.

"Os grupos de risco têm mesmo de ficar em casa"

Ainda durante a conferência de imprensa desta manhã, o Secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales pediu a todos as pessoas que fazem parte de grupos de risco (maiores de 75 anos, doentes oncológicos, crónicos, qualquer pessoa com o sistema imunitário com as defesas em baixo) para redobrarem os cuidados, garantindo que o Governo está a desenvolver mecanismo de apoio para auxiliar estas pessoas em isolamento, caso seja necessário.

"Os cuidados de saúde primários estão a reorganizar-se para apoiar doentes de covid-19 e para dar suporte a outros doentes em casa", disse o Secretário de Estado da Saúde. Segundo o membro do Governo, os médicos de família estão a contactar os doentes que tinham consultas agendadas para os próximos tempos para reavaliar cada situação. Se tiver duvidas deverá ligar para o serviço de cuidados primários da sua área de residência, em vez de se deslocar à unidade de saúde.

"Temos as ferramentas para individualmente darmos o nosso contributo para coletivamente travarmos esta pandemia", afirmou ainda António Lacerda Sales, numa nota de esperança. "Os profissionais de saúde continuam a ser a nossa linha da frente no combate, mas contamos com cada português na sua trincheira", acrescentou.

Escola Nacional de Saúde estima 7 casos por cada 100 em Itália

Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), divulgado esta quinta-feira, estima que, em média, por cada 100 casos de Covid-19 em Itália - o país mais afetado na Europa - Portugal terá sete infetados, apontando para um cenário grave em território nacional. A análise, com uma fiabilidade que abrange apenas os próximos dias, foi baseada em modelos matemáticos.

"Atualmente, a análise desses modelos diz-nos que todas as curvas, na fase em que nos encontramos e independentemente do país analisado, são exponenciais (ou similares), ou seja, têm uma evolução crescente acentuada. A curva portuguesa segue o mesmo trajeto, à sua escala, comparando com os períodos análogos dos outros países", sublinhou a investigadora e diretora da ENSP, Carla Nunes, em declarações à agência Lusa. "Analisando, por exemplo, o 17.º dia de todas as curvas sabemos que, por cada 100 casos em Itália, esperamos sete em Portugal, por cada 100 no Reino Unido estimamos 130 e por cada 100 em Espanha esperamos 30 novos casos em Portugal", precisou.

Segundo a especialista em Epidemiologia e Estatística, Portugal tomou medidas de promoção do isolamento social mais cedo do que outros países. Desde o início desta semana, que todas as escolas foram encerradas, foi aconselhado o teletrabalho, sempre que possível, e esta quarta-feira o Presidente da República decretou estado de emergência.

Portugal em estado de emergência

Depois de ter ouvido o Conselho de Estado, de ter reunido o apoio do Governo e da Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa decretou, esta quarta-feira, o estado de emergência por uma "situação de calamidade pública" causada pela pandemia do covid-19. Abrange todo o território nacional e durará quinze dias, prorrogáveis se for necessário. "Esta é uma decisão excecional para um tempo excecional", referiu o Presidente da República.

Assim, passa a ser possível suspender vários direitos - sendo que estão salvaguardados os essenciais, como o direito à vida ou à liberdade de expressão. Está previsto que as pessoas se continuem a deslocar para o trabalho, sempre que não for possível fazê-lo em casa, bem como ir ao supermercado, à farmácia. Mantendo sempre a distância social (no mínimo um metro).

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou ainda que esta pandemia "vai ser mais intensa e durar no tempo", constituindo um desafio ao Serviço Nacional de Saúde, à nossa maneira de viver e à nossa economia, em quase todas as áreas de atividade. "Esta é uma guerra! Porque é de uma guerra que se trata", continuou.

Nas últimas 24 horas, os países com o maior número de casos confirmados e de mortes voltaram a ser, por ordem, Itália, Irão e Espanha. O covid-19 infetou 225 253 pessoas em todo o mundo. Destas, 85 826 já recuperam. Morreram 9 276 cidadãos.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos).

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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