Madeira anuncia dois novos casos positivos. Sobe para três número de infetados

São dois casos importados "com ligação ao Dubai e aos Países Baixos", informaram as autoridades. Quatro pessoas aguardam o resultado de análises laboratoriais.

As autoridades de saúde da Madeira anunciaram esta quarta-feira dois novos casos de covid-19 na região, elevando para três o número de infetados pelo novo coronavírus no arquipélago.

"Temos dois casos com resultado preliminar positivo, conhecido no dia de hoje, e quatro casos aguardam resultado laboratorial", disse a vice-presidente do Instituto da Administração da Saúde (IASAÚDE) da Madeira, Bruna Gouveia, indicando que são "casos importados", com ligação ao Dubai e aos Países Baixos.

O primeiro caso detetado na Madeira diz respeito a uma turista holandesa.

A responsável disse que os três doentes têm mais de 60 anos e "estão todos estáveis", permanecendo no internamento dedicado à Covid-19 no Hospital Central do Funchal.

Bruna Gouveia esclareceu, em conferência de imprensa, no Funchal, que o cidadão dos Países Baixos não tem ligação ao primeiro caso positivo registado na segunda-feira, também num cidadão daquele país, uma vez que se encontravam hospedados em hotéis diferentes.

Em relação ao caso com origem no Dubai, a vice-presidente do IASAÚDE explicou que se trata de uma cidadã portuguesa, que regressou no domingo à região e estava a cumprir a quarentena obrigatória decretada pelo Governo da Madeira.

Durante esta quarta-feira, foram validados mais nove casos suspeitos de infeção por novo coronavírus no arquipélago, todos com ligação epidemiológica a "várias áreas com transmissão ativa desta doença".

288 pessoas estão em vigilância ativa

"Do total dos 39 casos suspeitos identificados até agora, 32 casos foram negativos", revelou.

Relativamente aos dois casos confirmados esta quarta-feira com resultado preliminar positivo, a investigação epidemiológica permitiu já identificar cinco contactos, no concelho de Câmara de Lobos, zona oeste da Madeira.

"Em relação ao primeiro caso confirmado [na segunda-feira], a investigação epidemiológica permitiu identificar 97 contactos [sobretudo hóspedes e funcionários do hotel], que estão assinalados e cumprem o isolamento preventivo, no concelho do Funchal", referiu.

Bruna Gouveia indicou também que 288 pessoas estão em vigilância ativa, acompanhadas uma ou duas vezes por dia pelas autoridades de saúde de cada concelho.

Por outro lado, a Linha SRS24 Madeira (800 24 24 20) registou desde as 00:00 desta quarta-feira 169 chamadas, contribuindo para um total de 2560 desde o início da atividade, a 3 de fevereiro.

Entretanto, as autoridades regionais estimam que na terça-feira terão saído cerca de 5000 turistas da região, na sequência das medidas de contenção da Covid-19, calculando que ainda se encontram no arquipélago cerca de 3000.

No dia em que foram confirmados mais duas pessoas que testaram positivo para covid-19 na Madeira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, propôs a declaração de estado de emergência em Portugal, que, entretanto, já foi aprovada pela Assembleia da República. A Comissão Permanente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) também deu parecer favorável, com os votos favoráveis do PSD, CDS, PS e JPP e a abstenção do PCP.

"A cooperação entre todas as entidades regionais e nacionais é absolutamente essencial no combate a esta guerra, mas o mais importante para vencer a guerra é que todos os cidadãos cumpram as normas de exceção que vão estar em vigor, com restrição de alguns direitos, liberdades e garantias", afirmou num comunicado o presidente da ALM, José Manuel Rodrigues.

"Acima de tudo está a salvaguarda da nossa vida e das nossas famílias", sublinhou.

O presidente da ALM defendeu que não se pode culpar os turistas pela presença da doença na ilha e deixou uma palavra de apreço a todos que estão no combate ao novo coronavírus.

"Nesta guerra, cada um tem uma missão e a dos cidadãos é a de ficar em casa a combater o inimigo invisível"

"Olhemos para a ação extraordinária de todos os profissionais de saúde, das forças policiais, dos militares e da proteção civil e inspiremo-nos no seu exemplo para que cada um de nós possa cumprir a sua missão", disse.

Sublinhou ainda que, "nesta guerra, cada um tem uma missão e a dos cidadãos é a de ficar em casa a combater o inimigo invisível" e que "a hora é de união, a hora é de um por todos e todos por um".

O parlamento madeirense foi ouvido ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 229.º da Constituição da República Portuguesa, que indica que "os órgãos de soberania ouvirão sempre, relativamente às questões da sua competência respeitantes às regiões autónomas, os órgãos de governo regional".

A deliberação da Assembleia da República, indica ainda o regime, implica a consulta dos órgãos de governo próprio das regiões autónomas nos casos em que a declaração do estado de sítio ou do estado de emergência "se refira ao respetivo âmbito geográfico".

O parlamento aprovou esta quarta-feira o projeto de declaração do estado de emergência que lhe foi submetido pelo Presidente da República com o objetivo de combater a pandemia de covid-19.

O projeto foi aprovado pelo plenário da Assembleia da República sem votos contra e com os votos favoráveis do PS, PSD, PSD, CDS-PP, BE, PAN e o deputado do Chega, André Ventura.

Absteve-se o PCP, os Verdes, a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira e o deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo.

O Presidente da República considerou hoje "indispensável" a declaração do estado de emergência para dar "cobertura constitucional a medidas mais abrangentes que se revele necessário adotar para combater esta calamidade pública", a pandemia da covid-19.

No projeto de decreto enviado à Assembleia da República, em que propõe o estado de emergência por 15 dias, como está legalmente previsto, Marcelo Rebelo de Sousa reconhece que em Portugal "foram já adotadas diversas medidas importantes de contenção", "de imediato promulgadas", e "declarado o estado de alerta".

No entanto, "à semelhança do que está a ocorrer noutros países europeus, torna-se necessário reforçar a cobertura constitucional a medidas mais abrangentes, que se revele necessário adotar para combater esta calamidade pública", pelo que o Presidente "entende ser indispensável a declaração do estado de emergência".

Duas mortes em Portugal

De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral de Saúde (DGS), de terça para quarta-feira foram notificados mais 194 casos de covid-19 no país, elevando a contagem total para 642 infetados. Há três pessoas recuperadas e duas mortes. A segunda vitima mortal é presidente do conselho de administração do banco Santander, António Vieira Monteiro, internado com novo coronavírus.

A estes dados da DGS são agora acrescentados mais dois novos casos na Madeira, o que aumenta para 644 o número de pessoas infetadas em Portugal

A pandemia de covid-19 já chegou a todo o território nacional, com o Alentejo a registar os dois primeiros casos confirmados. A região mais afetada do país volta a ser o Porto (289 casos), depois Lisboa (243).

Há ainda 351 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais e 6656 em vigilância pelas autoridades de saúde. Embora Portugal tenha registado o primeiro caso de covid-19 no dia 2 de março, desde o primeiro dia do ano já houve 5067 casos suspeitos.

Estão ativas 24 cadeias de transmissão no país, a maioria com ligações ao estrangeiro. Em resposta a uma pergunta do jornal I, durante uma conferência de imprensa às 12:30, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, admitiu que estão a ser considerados rastreios primários e secundários nos aeroportos, como a medição da temperatura ou a quarentena obrigatória, durante 14 dias, para quem tenha acabado de chegar ao país.

Atualizado às 21:15

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