Morreu o presidente do Santander, Vieira Monteiro, vítima de Covid-19

O presidente do conselho de administração do banco Santander, António Vieira Monteiro, estava doente há várias semanas e é a segunda vítima mortal do coronavírus em Portugal.

O presidente conselho de administração do banco Santander, António Vieira Monteiro, vitima de Covid-19. A informação foi confirmada pelo Dinheiro Vivo. Vieira Monteiro já estaria doente há várias semanas e, face ao quadro debilitado do banqueiro, o novo coronavírus foi fatal.

Vieira Monteiro estava internado no Hospital de São José, onde acabou por falecer. Terá contraído o vírus numa viagem a Itália, segundo avançou o Jornal Económico e confirmou o Dinheiro Vivo. No regresso a Portugal ficou de imediato de quarentena.

O banqueiro iria completar os 74 anos a 21 de março. Nasceu em 1946. Vieira Monteiro assumiu a presidência do conselho de administração do Santander em 2019 - sucedendo a Nuno Amado.

Antes, foi o presidente executivo do banco entre 2012 e 2018 - e fazendo todo o longo percurso da Troika. Antes disso, desempenhava também o mesmo cargo quando o banco ainda era Santander Totta, tendo à sua responsabilidade os pelouros de riscos, recuperações, universidades, desinvestimentos e também o Banco Totta Angola. Foi responsável pela compra de parte do Banif e do Banco Popular.

Entrara no Santander a convite de António Horta Osório - que o colocou na área do risco por confiar na sua habilidade e rigor, essencial para gerir em tempos complexos. "O banco sempre teve uma política conservadora, sobretudo na área da concessão de crédito", disse, ao Expresso, na última entrevista que deu a um jornal, e explicando a estabilidade financeira do banco espanhol. "Grande parte dessas operações que hoje andam aí nas bocas do mundo passaram aqui e foram todas recusadas".

Licenciado em direito, Vieira Monteiro tinha uma longa carreira na banca, iniciada em 1970 - no Banco Português do Atlântico, no Porto, como estagiário. Tinha sido vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 1993 e 2000, com Rui Vilar, que acompanhara desde o Atlântico, depois no Crédito Predial e no Banco Espírito Santo.

Os bancos corriam na sua família. O avô, sócio número dois da Ordem dos Advogados, segundo contou ao Expresso, na última entrevista, fora um dos fundadores do Banco da Agricultura. Depois deste banco, foi para o Crédito Predial.

Depois de se reformar, e apesar de se afirmar um presidente "não abstencionista", Vieira Monteiro dedicava-se cada vez mais à sua paixão pela agricultura - tinha floresta e gado. " Todas as sextas-feiras saio daqui, meto-me no carro, faço 212 quilómetros e estou lá o sábado inteiro. Ao sábado à noite volto. Por isso deixei de jogar golfe e de fazer outras coisas", dizia, ao Expresso.

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