Hells Angels: há mais um detido condenado pelo assassinato de Alcindo Monteiro

"Martelos" é a alcunha de Tiago Palma, um dos detidos da operação da PJ contra o gangue de motards. Com Nuno Monteiro, outro dos presos, foi condenado à pena mais pesada de 18 anos de cadeia pelo homicídio do cabo-verdiano, em 1995. Já são três os Hells Angels skinheads que estiveram no Bairro Alto nessa noite de terror racista

Há mais um detido na operação policial contra os Hells Angels que foi condenado pela morte de Alcindo Monteiro, no Bairro Alto, em 1995. Tiago Palma, conhecido por "Martelos" (por ter sido atleta de lançamento de martelo) fez parte do grupo de Nuno Monteiro, outro dos detidos nesta megaoperação, que espancou violentamente vários negros nessa noite, um deles, Alcindo, até à morte. Ambos foram condenados à pena mais pesada de prisão, de 18 anos de cadeia, juntamente com outros quatro arguidos. Tiago Palma por homicídio qualificado e nove crimes de ofensas corporais com dolo de perigo. Nuno Monteiro, também pelo assassinato e por seis crimes de ofensas corporais, também muito graves.

Tiago Palma, na altura com 19 anos, era "delinquente primário",estudante de um curso técnico profissional de desporto, vivia com a mãe, o padrasto e dois irmãos. No julgamento, é registado no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), revelou "completa ausência de arrependimento".

Neste mesmo grupo que atacou indivíduos de raça negra estava Mário Machado, que chegou a liderar a fação mais perigosa dos cabeças rapadas, embora, segundo o tribunal, sem envolvimento na morte de Alcindo Monteiro. Foi condenado por agressões a outros negros nessa mesma noite.

Conforme o DN já tinha noticiado, as ligações aos Hells Angels de elementos da extrema-direita violenta e criminosa, no caso os skinheads, foi confirmada pela PJ. Além de Tiago Palma e Nuno Monteiro, um outro detido, Eduardo Lima, esteve também no Bairro Alto nessa noite, embora não tivesse estado envolvido nas agressões. A sua ligação aos skinheads está documentada pelas autoridades, tendo sido arguido por discriminação racial. Foi condenado, nos últimos anos, por crimes de sequestro, extorsão, agressões, coação e por posse de arma proibida.

Sobre Alcindo Monteiro escreveram os juízes do STJ: "era um jovem de 27 anos transbordante de alegria, de vida e saúde e foi morto unicamente pelo facto de ser negro. Alcindo Monteiro morreu no meio de um sofrimento atroz".

No caso dos Hells Angels, Tiago Palma e Eduardo Lima ficaram sujeitos à medida de coação mais grave, a prisão preventiva, por haver indícios que o tribunal considerou fortes, do seu envolvimento no ataque do Prior Velho, contra um grupo de motards rivais, liderado por Mário Machado. São suspeitos, entre outros, de tentativa de homicídio, associação criminosa, roubo e ofensas graves à integridade física. Nuno Monteiro ficou sujeito a TIR, com a obrigação de se apresentar diariamente na PSP da área da sua residência.

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