Hells Angels. Novo golpe da PJ trava reorganização do grupo

A Judiciária deteve esta terça-feira 17 membros do grupo de Hells Angels, sob suspeitas de associação criminosa. A megaoperação está enquadrada no processo que, em julho de 2018, levou à detenção de cerca de mais de meia centena destes motards

As cerca de duas dezenas de elementos do grupo Hells Angels, que são alvo de mandados de busca da Polícia Judiciária (PJ), são suspeitos de estarem a tentar reorganizar os motards e dinamizar os clubes satélites, depois da "machadada" do ano passado, em que foram presos mais de meia centena destes motards.

No âmbito do novo golpe nesta organização, foram já detidos esta terça-feira 17 pessoas - embora devam haver mais detenções nos próximos dias - indiciados pelo crime de associação criminosa. Segundo o comunicado da PJ, esta operação envolveu cerca de 150 operacionais de várias unidades.

Ao que o DN apurou junto a fonte judicial, estes novos detidos não estão diretamente relacionados com a situação principal que levou à operação do ano passado (a invasão, com barras de ferro, paus e facas, um restaurante no Prior Velho, para agredir e tentar matar rivais), mas terão dado apoio na retaguarda.

No último ano, têm apoiado os membros que está em prisão preventiva e as autoridades verificaram as suas tentativas de se voltarem a erguer, prosseguindo atividades fora da lei. Estão em prisão preventiva 41 arguidos. "Foi uma machadada na organização do grupo", admitiu na altura a diretora da UNCT, Manuela Santos.

Há um ano, os detidos foram na sua maioria relacionados diretamente com o incidente do Prior Velho, em março de 2018, e indiciados por vários crimes. Além de criminalidade especialmente violenta e altamente organizada, estava também em causa tentativa de homicídio, agressões, tráfico de droga e posse de armas proibidas.

Vigiados pela PJ e pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS) há vários anos, acabou por ser o ataque dos Hells Angels a elementos de um grupo rival - Os Bandidos - cuja liderança estava a ser pretendida pelo ex-líder dos skinheads, Mário Machado, a desencadear todas as detenções.

Machado, com um historial de conflitos com os Hells Angels, do tempo em que liderava a fação mais violenta dos cabeças rapadas no nosso país, os Portuguese Hammerskins, estava também no local do ataque, e escapou ileso,

Esta investigação ganhou forma a partir de 2016, quando os investigadores da UNCT começaram a reunir vários casos de violência a envolver elementos deste grupo.

Hells Angels e Bandidos têm também ligações à extrema-direita violenta, com ostentação de símbolos neonazis por alguns dos seus elementos. São considerados uma ameaça à segurança nacional.

Dois dos detidos foram condenados pela morte do cabo-verdiano Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto. Estavam entre o grupo de skinheads que agrediu violentamente vários negros na noite de 10 de junho.

Estas novas detenções surgem como resultado das investigações da UNCT, coordenadas pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que continuaram durante este período. A sua identificação, sabe o DN, foi feita com base no cruzamento de imagens de videovigilância, captadas pelas câmaras localizadas no percurso até ao Prior Velho, e na análise dos registos de comunicações de telemóveis.

"É uma questão de liberdade", assinalou o diretor nacional da PJ há um ano, na altura das primeiras detenções. "A Polícia Judiciária nunca o permitirá que a liberdade não seja um acento tónico em qualquer ponto do território nacional", afirmou, salientando ainda que os Hells Angels estavam a adquirir, pela violência, supremacia entre os grupos motards e, "coagindo-os" a criar "um clima de terror e medo".

Esta investigação e respetivos resultados é o maior processo europeu contra os Hells Angels.

(Notícia atualizada às 13h50 com mais informações do processo)

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