Tudo controlado?

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

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No dia 2 deste mês escrevi neste espaço sobre a questão dos exames escolares e da troca de argumentos e acusações que existiam na altura, que talvez fosse avisado “prever o pior, esperar o melhor”.

Pelo que se tem lido e ouvido nestes últimos dias acertei em 50%: o pior parece estar a acontecer e poucas esperanças há por algo melhor. Depois do dia 2, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que garantia estar tudo controlado, acabou por alterar a data de publicação dos resultados da 1.ª fase dos exames prevista para dia 14 e passou para dia 17, com a 2.ª fase a ser também adiada para dia 20, em vez de 16 de julho.

Depois desta alteração, os professores começaram a perceber, após contactos dos diretores dos agrupamentos, que poderão ter de alterar férias já marcadas. Também as famílias receiam que os planos de verão de quem tem filhos candidatos ao Ensino Superior possam ser afetados, caso os vários prazos do processo venham a sofrer ajustamentos.

Para o ministro Fernando Alexandre não se passa o caos de que se fala. Ainda esta quarta-feira disse estar a “trabalhar, a resolver tudo”, acrescentando estar a “defender a escola pública”.

Numa entrevista à RTP, na noite de terça-feira, o governante até abriu a possibilidade de haver uma compensação para quem considerar ter sido afetado. “Há, de certeza, um procedimento administrativo para isso, que não será muito fácil. O Estado é uma pessoa de bem e as leis são para cumprir. Tem de haver ponderação e estamos a defender a escola pública. Há muito alarmismo. No dia 17 vamos provar se era possível ou não fazer este processo.”

Mas nem todos parecem partilhar este otimismo. A prova disso surgiu com a intervenção do Presidente da República, esta quarta-feira: numa visita às novas instalações do Mecanismo Nacional Anticorrupção, António José Seguro disse que esta semana iria falar com o primeiro-ministro Luís Montenegro sobre o tema. E disse que o importante passa por que se “mantenha intacta” a confiança dos alunos e famílias.

Além de não se perceber exatamente como os professores classificadores vão conseguir fazer o seu trabalho, as escolas começam também a ter dificuldades em programar o início do próximo ano letivo.

Certo é que, provavelmente, vai haver “remendos” para a situação, que podem passar por levar os professores a trabalhar em agosto adiando as férias, ou por uma fase de exames em setembro, com as implicações no Ensino Superior.

Talvez no dia 17 se descubra afinal que professores, diretores, alunos e famílias se inquietaram sem razão. Seria uma excelente notícia. Mas, olhando para os sinais das últimas semanas, não parece ser esse o desfecho mais provável.

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