Com uma parte do país entretida com o futebol – entre os jogos do Mundial e as contratações para os principais clubes nacionais –, há temas que deviam merecer uma maior atenção por parte dos cidadãos, até porque podem ter impacto na sua vida.Um desses tópicos são os exames escolares. Nos últimos dias têm sido publicadas notícias sobre as dificuldades dos professores em classificar os testes – pela primeira vez totalmente online, num total de 300 mil – por não terem recebido os itens para tal; outros que nem sabem se vão ser chamados a este trabalho, como os de Matemática, cuja prova aconteceu no dia 23 de junho e até esta quarta-feira ainda não se sabia quem era convocado para esta tarefa.As denúncias são inúmeras, como contou Cynthia Valente nas páginas do DN desta quarta-feira (1 de julho), mas quem ouviu o ministro da Educação, Ciência e Inovação na Assembleia da República acabou por ficar sem saber o que na realidade se passa.Perante as perguntas dos deputados, Fernando Alexandre garantiu que as falhas relatadas no processo de classificação dos exames nacionais é falsa. “Do ponto de vista logístico, da distribuição dos exames e da digitalização, não houve nenhum percalço. Obviamente, houve um caso ou outro, mas não são erros que ponham em causa o rigor do sistema”, afirmou.Portanto, de acordo com o governante, a correção da provas ModA, das provas finais de 9.º ano (Português e Matemática) e dos Exames Nacionais de 11.º e 12.º anos está a decorrer com normalidade – apesar "de um caso ou outro". Anomalias pontuais que "depois são corrigidas".Também afastou responsabilidades na, denunciada, convocação de professores para classificar provas de temáticas que não são as suas ou aposentados. Nestes casos a culpa é dos diretores de escola. “Se convocam erradamente, então é uma responsabilidade dos diretores”, frisou. O problema é que a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas no dia 29 de junho divulgou um comunicado a rejeitar responsabilidades e a assegurar que “as escolas cumpriram, dentro dos prazos estabelecidos, todos os procedimentos que lhes foram solicitados pelo JNE”. Acrescentando que as as situações registadas são de origem “tecnológica e organizacional da entidade responsável pela operacionalização do modelo".A questão que se coloca é em quem devem os pais e os alunos acreditar, sendo que, para muitos, estas notas são fulcrais para o seu futuro escolar imediato.Por isso, será que haverá resultados publicados a 14 de julho, como prometido pelo ministério? Do mesmo governante que garantiu há meses que até ao final do ano letivo se ficaria a conhecer quantos alunos estiveram, pelo menos, sem um professor durante o ano e que até agora não divulgou esses dados?Ou teremos atrasos que vão fazer com que a segunda fase dos exames, prevista para começar a 16 de julho, seja reagendada para mais tarde, com o que pode implicar nas férias de alunos e professores? Além das datas para candidaturas ao Ensino Superior.Ou vamos "prever o pior para esperar o melhor", citando, por exemplo, Fernando Pessoa?