Senegal: o presidente demitiu “o mais velho”!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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O verniz estalou. Em dezembro de 2024, publicámos, “Ai Senegal, Senegal, tens um pé numa galera e outro no fundo do mar!”. Eleito presidente (PR), em abril desse ano, Bassirou Dioumay Faye (BDF), 46, foi ao longo dos últimos dois anos, o Humpty Dumpty senegalês, que prometeu acabar com a CEDEAO e com o Franco CFA, para depois, em novembro passado, se render à americana Boeing e encomendar nove Boeings 737 MAX 8, com opção para mais seis, no Dubai Airshow 2025, também com “lupa DN”. BDF percebera, finalmente, que Trump seria o mal menor!

Em resumo destes dois anos, DBF, vestiu a “jalaba do pan-africanismo 2.0”, mas não destruiu a CEDEAO, a comunidade económica da África Ocidental, não acabou com a moeda única da mesma, não evitou os contratos preferenciais no porto de Dacar, nem conseguiu diversificar os contratos de fornecimento de hidrocarbonetos, a partir do mesmo.

Perante tal, e os “novos brutos” que por aí andam a jogar com os elementos, BDF demite o PM Ousmane Sonko, 51, dissolveu o Parlamento, o mesmo que em março, aprovou uma “lei de actos contra-natura”, objectivamente uma lei anti-homossexuais, para distrair, perante os sucessivos falhanços.

Qual foi o erro do PR Bassirou Dioumay Faye? Ser o pan-africanista que esqueceu as regras básicas de África!

Primeiro, demitiu o mais velho.

Segundo, era o mais velho que estava destinado a ser candidato à Presidência. Não foi, porque o prenderam!

Terceiro, foi o mais velho, que da cela da prisão, indicou o nome do número 2, Bassirou Dioumay Faye, que, na crista da onda, tudo prometeu, desconhecendo, certamente, os constrangimentos do exercício do poder. Aliás, outra regra básica africana, entre palavra dada, preferências do grupo e oscilações tectónicas, quem paga manda, em África e em todo o lado.

BDF sofre, assim, de soberba e miopia! Viu tudo lá à frente, sem considerar o tempo e o modo, as idiossincrasiazinhas que nos definem.

E agora?

Calha bem, o programa de ajuda 2023-26 do Fundo Monetário Internacional, em ano terminal, permitirá manter a pressão do, “parem de subvencionar os combustíveis, que queremos voltar à primeira proposta de 2023”! Primeiro tiro no pé, para quem, enquanto candidato, pintou a França e “o estrangeiro”, como o Shaitan em África, o satanás “islâmico”, e dele queria fugir, como o Diabo da cruz!

Vão ficar e com mais força. Porquê? Porque o segundo tiro no pé, foi esta desestruturação, permitir agora um rassemblement do PASTEF, em torno do fundador do partido, Ousmane Sonko, o mais velho!

A partir daqui, a plataforma que permitiu a soberba, a miopia e a panache do mais novo, passará a flectir ao ritmo do mais velho!

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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