Se ainda não ouviu falar em Jon Ossoff, devia

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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Numa recente entrevista à MS NOW (a antiga MSNBC), Jon Ossoff voltou a garantir ter “zero interesse” em ser candidato às presidenciais americanas em 2028. Mas nem assim o senador da Geórgia travou a especulação crescente sobre a sua eventual entrada na corrida à nomeação democrata.

A disputar a reeleição para o Senado nas intercalares de novembro - nas quais deve bater facilmente o rival republicano –, Ossoff bem pode negar o interesse na Casa Branca (quantos o fizeram e acabaram por avançar?), mas os sites de apostas já o colocam à frente do governador da Califórnia, Gavin Newsom, e da congressista de Nova Iorque Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) nos favoritos democratas. Mais prudentes, as sondagens – lideradas pela ex-vice-presidente Kamala Harris – colocam-no nos 8,5% (na media da Real Clear Politics), o dobro de há uns meses.

Filho de uma consultora que aos 23 anos imigrou da Austrália para os EUA, e de um advogado descendente de judeus da Rússia e Lituânia, Ossoff, nascido e criado em Atlanta, onde vive com mulher e filhas, cedo se interessou pela política. E em 2021, aos 33 anos, tornava-se o mais jovem senador dos EUA.

Visto como um moderado, em época de guerra ideológica no Partido Democrata entre progressistas e moderados, no seu estado Ossoff conquistou eleitores de ambos os lados, além de se destacar pela capacidade de recolher fundos.

“Um candidato (...) que começa a emergir é Jon Ossoff. Num estado roxo, que tanto vota à direita como à esquerda, ele tem uma capacidade notável de chegar ao eleitorado moderado sem o rótulo do socialismo”, explicava há dias Daniela Melo em entrevista ao DN. Para a cientista política e professora da Universidade de Boston, “neste momento, AOC ainda não será a candidata mais favorável para os democratas, mas pode surgir alguém como Ossoff, que se vai mostrando capaz de falar sobre a corrupção de forma clara, de falar do custo de vida, da desigualdade económica.”

No artigo “O que Jon Ossoff percebe que demasiados democratas não percebem”, a New Republic destacava a forma como o senador não foge de uma boa luta. “Numa palavra: conflito. Ele compreende que, no panorama mediático atual, é preciso criar conflito para chamar a atenção e gerar entusiasmo, e é preciso fazê-lo de forma que tenha hipótese de se tornar viral”, escrevia Michael Tomasky, o editor da revista. E esse espírito combativo tem muitas vezes como alvo o presidente Trump e o universo MAGA.

Se isto chega para levar Ossoff à Casa Branca, é outra questão. Ou mesmo se consegue a nomeação do seu partido, onde a sua posição sobre Israel (crítico de Netanyahu, mas apoiante do direito a defender-se) lhe garante alguns inimigos.

Com as presidenciais a mais de dois anos de distância tudo pode acontecer. Mas se ainda não tinha ouvido falar em Jon Ossoff, chegou a hora.

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