Regresso de Hollande? O jóquer (pouco) secreto da esquerda francesa

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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François Hollande celebrou na passada quarta-feira 72 anos. E os amigos do ex-presidente francês não deixaram passar a data sem lhe oferecer um presente simbólico: 500 cartazes com o rosto do agora deputado socialista de Corrèze e a frase “Lui président”, um “ele como presidente” seguido de frases sobre as conquistas do seu único mandato presidencial (não se recandidatou em 2017) – da redução do défice à contratação de 60 mil professores.

Mas se as frases olham para trás, não falta quem veja neste presente um prenúncio de uma eventual nova candidatura de Hollande ao Eliseu já no próximo ano. De férias com a mulher, a atriz e produtora Julie Gayet (com a qual iniciou a relação ainda enquanto presidente, ficando famoso o dia em que lhe foi levar croissants de scooter) no seu reduto de Tulle, Hollande desta vez não esconde as ambições de suceder ao homem que lhe sucedeu: Emmanuel Macron.

“Estamos em segundo plano. Vamos deixar passar as primárias e faremos um balanço da situação depois”, admitia há dias ao Libération o seu porta-voz. Do que está Hollande à espera? De um deslize de Raphaël Glucksmann, o eurodeputado e líder do pequeno partido Place Publique, favorito a umas primárias da esquerda às quais ainda nem sequer ainda confirmou ser candidato.

Com uma rentrée que começa já no dia 28 no campus do Partido Socialista e inclui o lançamento do livro Unir. Nouveau monde, nouvelle gauche, o ex-presidente vai estar omnipresente nos media nos próximos meses. Ele que também reforçou a sua presença nas redes sociais, com inúmeros vídeos, além do podcast Un président devrait écouter ça.

Num campo da esquerda incapaz, como aconteceu nas últimas eleições, de se unir atrás de um único candidato, Hollande já se vê, entretanto, como uma espécie de jóquer.

Aliás, a nove meses das eleições, são muitas mais as dúvidas do que as certezas. Na extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon volta a avançar como candidato da Frente Insubmissa, enquanto, na extrema-direita, Marine Le Pen se afirmou como candidata do Reagrupamento Nacional, apesar de ainda poder enfrentar uma reviravolta judicial de última hora. que trave o seu caminho para o Eliseu. Na esquerda, os candidatos multiplicam-se (entre eles não falta mesmo Ségolène Royal, antiga companheira de Hollande e mãe dos seus quatro filhos), sem que haja ainda acordo sobre o formato das primárias.

No campo presidencial, também reina a incerteza. Após uma década no poder, Macron não criou um delfim óbvio. E por isso também aqui há vários candidatos, inclusive dois antigos primeiros-ministros de Macron: Edouard Philippe, líder do Horizons, e Gabriel Attal, atual líder do Renascimento, o antigo En Marche fundado pelo presidente.

Entretanto, Hollande continua à espera do seu momento. E a verdade é que o homem que chegou a bater no fundo da popularidade quando estava no Eliseu, com 6% de aprovação, é hoje a personalidade política preferida dos franceses, com 49% de opiniões positivas. Vale o que vale.

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