As aulas e o seu recomeço

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Este é um tema que se enquadra numa esfera bastante pessoal: sou pai de 3 crianças, entre os 5 meses e os 13 anos de idade. Por esta altura, todos os anos, há sempre alterações significativas na vida quotidiana, seja na dos adultos, crianças ou adolescentes. Os primeiros veem-se a braços com um aumento considerável de afazeres, os segundos imaginam o cheiro dos livros novos e sentem a ansiedade normal pelo reencontro dos amigos, novos colegas e professores.

Com o retomar das rotinas escolares, um dos temas mais difíceis de digerir para o universo dos adultos é indubitavelmente o aumento do trânsito matinal. Por outro lado, há que organizar um sem número de tarefas, seja a compra do material escolar, as matrículas, o calendário baseado nos três períodos escolares, as refeições, o transporte escolar, entre outras.

Como já é apanágio da época, os noticiários enchem-se de balanços nos primeiros dias de aulas, com a já bem conhecida “lengalenga” estatística acerca do retrato das escolas em Portugal. Nessas, as análises repetem-se: responsáveis políticos de um lado e do outro, justificando o que foi ou não foi feito e por isso o arranque letivo é pior ou melhor do que no ano transato. Este passa-culpas é constante e permanente, diria mesmo algo “envelhecido”.

A cereja no topo do bolo aparece com os sindicatos e honra lhes seja feita: mantêm o princípio da estabilidade, o que faz com que ao longo de décadas se televisionem os mesmos protagonistas. E esses encontram na exigência uma das suas principais funções, até porque, independentemente das condições melhorarem, as reivindicações mantêm-se e até sobem de tom. Dá a sensação que se está perante uma espécie de insatisfação insaciável, que se afigura como característica ímpar e salutar para a função de sindicalista mor.

“Noves fora”, por muitas dificuldades que se resolvam, o relógio não para e as necessidades em matéria de educação e ensino também não. Portanto, mesmo que se seja irritantemente otimista, haverá sempre muito por fazer e nesta área o copo terá tendência a permanecer meio vazio. Os autarcas que o digam, uma vez que nesta época se veem a braços com diversos desafios e problemas e há que dar a cara pelos mesmos.

Assim, ano após ano, com honrosas exceções e o devido reconhecimento de que muito se evoluiu neste meio século de democracia, ainda há um longo caminho por percorrer. E sobre esse trilho, fica a nota de pesar em nome das sucessivas gerações de portugueses que não conseguiram viver na plenitude o direito constitucional à educação.

O crescimento e desenvolvimento de Portugal em muito depende da formação e educação. Dessa forma, esse direito protegido pela Constituição deve ser lembrado todos os dias em que se possa melhorar ou resolver um problema antigo, sem lamúrias, fados ou descarte de responsabilidades. O todo deve ser sempre maior e mais importante do que o individual.

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