Arteta vai a Manchester com o fardo de 22 anos dos 'Invencíveis'

Arsenal desloca-se ao campo do City a precisar de pontuar para garantir que se manterá líder depois do jogo em atraso do rival. Em 2024, sonhou ao sair com o empate, mas tropeçou depois.
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No dia 31 de março de 2024, Mikel Arteta saiu do estádio do Manchester City com um 0-0, liderando, por um ponto, a Premier League à 30.ª jornada. Parecia feito o mais difícil para o Arsenal controlar até ao fim e ser campeão, 20 anos depois da mítica equipa de Invencíveis de Arsène Wenger, Thierry Henry, Bergkamp, Patrick Vieira ou Robert Pires. Só que o Aston Villa, três jornadas depois [33.ª], foi a Londres ganhar. Apesar de o Arsenal vencer os cinco jogos posteriores, incluindo em Old Trafford, o City também o fez e Guardiola angariou o tetracampeonato.

Este preâmbulo é fulcral para definir o fardo que, este domingo, o Arsenal terá nos ombros, para novo teste de personalidade (16h30 DAZN1). Uma equipa consolidada, com futebol enleante, dominador em grande parte do tempo de jogo, mas que tem falhado nos principais momentos.

Este domingo há dérbi lisboeta – pois claro, a não perder –, mas com muito mais implicações para o 2.º lugar, enquanto o verdadeiro jogo pelo título será no Etihad, na Premier League, a meras cinco jornadas do fim.

Guardiola chega intratável a esta fase da época e terá o plantel mais fresco. A queda nos oitavos de final da Liga dos Campeões com o Real Madrid teve o condão de garantir total foco interno e já se viu que o rescaldo foi positivo: na semana passada os citizens golearam o Chelsea e antes arredaram o Liverpool, com um 4-0, da Taça de Inglaterra. Isto já depois de terem conquistado a Taça da Liga, justamente frente ao Arsenal.

Em 2023/24, os gunners tiveram uma vantagem confortável e deixaram-na fugir, este ano houve similares contornos quando o City empatou com Sunderland, Brighton e Chelsea em janeiro. Poucos poderiam esperar que recebesse o Arsenal com seis pontos de desvantagem e ainda menos um jogo, a regularizar com o Crystal Palace, justamente antes da última ronda.

"Quando Vieira e Pires marcaram no 2-2 contra o Tottenham, à 35.ª jornada da Premier de 2003/04, foi a igualdade mais celebrada contra o rival londrino. Similar resultado no domingo abrirá doses semelhantes de euforia"

Uma vitória no domingo deixa o Manchester City com menos três pontos, mas vantagem no confronto direto em caso de igualdade pontual, embora esse seja apenas o terceiro fator de desempate. O primeiro é a diferença de golos e, aí, o Arsenal tem apenas três de vantagem e, como tal, pode haver verdadeira loucura pelas balizas nos últimos jogos, quer para o primeiro campeonato de Arteta ou para o sétimo de Guardiola em Inglaterra, que desempataria com Bob Paisley (Liverpool) e ficaria a ‘apenas’ a seis do recordista Alex Ferguson (Man. United).

“Sem medo”, prometeu o espanhol Mikel Arteta, ainda antes de defrontar o Sporting e de garantir a passagem às meias-finais da Liga dos Campeões, relativizando a onda de lesões: Timber, Calafiori, Rice, Saka e Odegaard. Arteta olha para as 38 vitórias na época, pecúlio a que nunca chegou em qualquer das sete temporadas pelo Arsenal, para acalentar que será desta que os londrinos voltarão a Highbury - antiga sede e estádio, agora condomínio de luxo - para grafitar a conquista de um título que foge desde 2004. Mas a derrota com o Bournemouth tem de ter ferido a confiança.

Com duas Supertaças e uma Taça de Inglaterra em sete anos, é melhor Arteta nem olhar para o registo de quatro vitórias em 16 jogos contra Guardiola ou de se lembrar que nunca venceu o City fora. Nos últimos dois anos, na Premier League, empatou. Quando Vieira e Pires marcaram no 2-2 com o Tottenham, à 35.ª jornada da Premier de 2003/04, foi a igualdade mais celebrada contra o rival londrino. Similar resultado no domingo abrirá doses semelhantes de euforia.

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