Velocidade e excesso de álcool. Estas são duas das principais causas de morte na estrada em Portugal, sinistralidade em que o país ocupa o 5.º lugar na União Europeia (UE), segundo as estatísticas mais recentes.Já muito se disse e escreveu sobre o tema e, infelizmente, poucos avanços se conseguiram na redução destas cifras negras, deixando dúvidas sobre se será possível atingir um objetivo do Governo: zero vítimas mortais e zero feridos graves em acidentes rodoviários até 2050. Desejo que inclui a redução em, pelo menos, 50% do número de vítimas mortais e de feridos graves até 2030. Isto é o que está escrito no protocolo Visão Zero - Mais Cidadania para as Estradas de Portugal assinado na quarta-feira (dia 24) entre a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e a Lusoponte.Cerimónia aproveitada pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, para anunciar que vão ser instalados mais 12 radares de velocidade média em áreas ainda em avaliação por parte da ANSR , o que elevará para mais de uma centena as estruturas de controlo de velocidade na rede viária nacional.Porém, talvez mais do que os radares - sem contestar a sua importância, incluindo a dissuasora - será decisivo mudar a mentalidade dos automobilistas. No mesmo evento, o governante lembrou que um terço das mortes nas estradas está associada ao excesso de velocidade e que uma em cada quatro vítimas mortais conduzia com excesso de álcool no sangue. Já para não falar da utilização do telemóvel enquanto se está ao volante.São comportamentos que não se alteram com radares ou com o uso de Inteligência Artificial no controlo do tráfego e a prevenção de acidentes, mas com mudança da forma de estar ao volante. E, essa, não se muda com imposições governamentais, nem alertas de radares. Infelizmente.De acordo com a Comissão Europeia, Portugal reduziu 5% ao número de mortes por milhão de habitantes: de 58 em 2024 (um total de 618, citando o Portal de Informação Estatística de Segurança Rodoviária) para 55 no ano passado. É uma evolução, mas pequena, já que na UE a média é de 45 mortes por milhão de habitantes.Já na análise aos dados da CE, referentes a 2024, ficámos a saber onde se morre mais nas estradas nacionais: as rurais continuavam a ser as mais perigosas, com 53% das mortes em comparação com 38% nas zonas urbanas - neste particular refira-se que 70% desse conjunto de vítimas mortais são,por exemplo, peões e ciclistas - e 8% nas autoestradas.Perante este retrato talvez seja de analisar o que se passa nas vias rurais: quem são os responsáveis pela sua conservação e controlo de velocidade, por exemplo. Se calhar ainda chegamos à conclusão de que aí é que são mesmo necessários mais radares. .Ao volante e de olhos no ecrã. É só irresponsável .Quando a Justiça perde tempo e imagem