Nos títulos dos grandes jornais o destaque esta semana foi para a vitória do socialista Emmanuel Grégoire em Paris ou para a derrota do centrista François Bayrou no seu reduto de Pau, mas a segunda volta das municipais francesas, no passado domingo, também teve outra protagonista: Sandrine Carneiro. A lusodescendente foi eleita presidente da Câmara de Plaisir, uma pequena cidade de 30 mil habitantes a 30 quilómetros de Paris, numa inédita segunda volta disputada por cinco listas.A arquiteta, de 51 anos, viu o seu movimento de cidadãos obter mais de 41% dos votos, após seis anos na oposição. Filha de emigrantes portugueses naturais do concelho de Vila Verde, perto de Braga, que entretanto regressaram, Sandrine Carneiro apresentava-se numa notícia do Le Parisien como “a miúda de Plaisir”, mas basta espreitar as suas redes sociais para encontrar posts seus a promover uma noite de fados na Casa du Portugal de Plaisir ou fotos com Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, numa visita a Lisboa em 2024 com a Civica, a Associação de Autarcas de Origem Portuguesa Eleitos em França. .Sandrine Carneiro não é, no entanto, a única lusodescendente a brilhar nestas eleições municipais francesas. O próprio Paulo Marques, presidente da Civica, foi reeleito para a vice-presidência da Câmara de Aulnay-sous-Bois, e Virginie de Carvalho já tinha sido eleita maire de Tremblay, logo na primeira volta do passado dia 15 de março.Ainda segundo a Civica, o número de candidatos lusodescendentes ultrapassou os 35 mil, mais do que em eleições anteriores. Este universo de candidatos reflete “a dinâmica de uma nova geração, composta por filhos e netos de emigrantes, que se envolvem ativamente na vida cívica dos territórios onde residem”, como explicou Paulo Marques ao Bom Dia, jornal online da diáspora portuguesa.Mas não são só os eleitos lusodescendentes a estar de parabéns nestas municipais francesas. Segundo os dados do Governo francês, Portugal foi o país com mais eleitores inscritos nestas eleições. No total, estavam inscritos 115 mil cidadãos portugueses (este número exclui os que têm dupla nacionalidade ou apenas nacionalidade francesa), seguidos de 56 mil italianos e 54 mil belgas. Quanto ao número de candidatos estrangeiros, os portugueses só perdem para os belgas, com cerca de 1400 contra 1800. Hoje os números apontam para mais de 560 mil portugueses a viver em França, mas se a estes somarmos os lusodescendentes os números sobem e variam muito, indo de 1,5 milhões a 2,5 ou até três milhões. Sejam quantos forem, é bom ver que se, tal como Sandrine Carneiro, não esquecem as suas origens, estes lusodescendentes estão cada vez mais envolvidos na política francesa e empenhados em ter uma palavra a dizer no futuro do país que recebeu os seus pais ou avós.