E você, onde estava no 11 de Setembro?

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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De férias de verão da faculdade em Montemor-o-Novo, estava a ver as notícias na televisão, quando o pivô interrompeu a peça para anunciar que um avião se tinha despenhado contra o World Trade Center, em Nova Iorque. Rapidamente surgiram no ecrã as imagens da Torre Norte em chamas. Ainda estávamos a tentar perceber o que se passara, quando o que parecia ser a repetição do momento em que o avião (que mais tarde saberíamos ter aos comandos um dos piratas do ar da Al-Qaeda) atingia o edifício se revelou ser, afinal, um segundo aparelho a embater na Torre Sul.

Se ao primeiro embate a dúvida sobre o que estava a acontecer era legítima, ao segundo ficou claro: o coração da América estava sob ataque. Não tardámos a perceber que havia um terceiro avião, que atingiu o Pentágono. E um quarto, que caiu na Pensilvânia. Mas a vida continuava e tive de sair para uma aula de condução. Voltei uma hora depois para encontrar a minha mãe incrédula: “As torres caíram!” Não quis acreditar. Só quando voltei para a televisão e vi o fumo e o nada onde antes se erguiam os dois edifícios indissociáveis do skyline de Nova Iorque, e do poderio económico da América, me convenci.

Passados 25 anos sobre os piores atentados terroristas contra os EUA, que fizeram quase três mil mortos - um dia em que todos os que têm idade para se lembrar sabem exatamente onde estavam - o Disney + e o National Geographic estreiam 9/11 Reunited. Nesta série documental, acompanhamos os acontecimentos daquele dia 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque através de imagens da época misturadas com relatos de sobreviventes. E assistimos ao reencontro entre alguns dos completos desconhecidos cujos destinos ficaram unidos para sempre naquele dia. “A mensagem da série é o quanto as pessoas se esforçaram para ajudar completos desconhecidos. Arriscando as próprias vidas”, explicou-me o produtor Louis Lee Ray, numa conversa por Zoom.

Uma dessas pessoas é Bill Spade. O antigo bombeiro contou-me o momento em que, parados numa escada de emergência da Torre Norte, enquanto ajudavam as pessoas a fugir, ele e o agente da polícia de Nova Iorque John D’Allara falaram das mulheres e dos filhos, então com idades entre 2 meses e 7 anos.

Bill sobreviveu, apesar de ter sido projetado no ar quando a Torre Norte colapsou e de ter ficado internado três dias. John morreu sob os escombros. O seu corpo só foi encontrado sete meses depois.

E você, onde estava no 11 de Setembro?
No 11 de Setembro Bill Spade perdeu o emprego e um amigo. "Sempre senti que precisava contar aos filhos dele aqueles últimos minutos"

O reencontro foi com John e Nicholas D’Allara, hoje com 31 e 27 anos. “Saiu-me um peso do peito. Havia algo que ele me tinha dito e que se destinava a ser dito aos rapazes e eu finalmente consegui fazê-lo”, disse-me Bill, enquanto ambos limpávamos as lágrimas.

Pode ter passado um quarto de século, George W. Bush ter lançado a guerra ao terror, Bin Laden ter sido morto pelos EUA, a Europa ter vivido também o terrorismo islamista e os talibãs terem caído e voltado ao poder no Afeganistão, mas o mundo não voltou a ser o que era antes do 11 de Setembro. E nós também não.

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