Terrorismo. 18 portugueses já foram vítimas de atentados desde 2001

O jovem de 30 anos que morreu este domingo no Sri Lanka, foi a 18.ª vítima portuguesa conhecida de ataques terroristas. O território nacional tem sido poupado a atentados, mas num mundo global sob ameaça, nenhum português está imune

Até este domingo, o terrorismo já tinha feito 17 vítimas portuguesas, desde o 11 de Setembro. Nestes 16 anos, morreram portugueses em lugares tão dispersos como Estados Unidos, Indonésia, Marrocos, Mali, Tunísia, França e Burkina Faso - nestes casos principalmente vítimas do terrorismo jihadista.

As 18 vitimas, segundo a recolha possível através dos casos noticiados

2019 - Sri Lanka

Nesta Páscoa, um jovem de 30 anos estava com a mulher a passar férias num hotel da capital do Sri Lanka, quando foi alvo de um dos oito ataques que ocorreram no país. É uma das mais de 200 vítimas mortais.

2018 - França

A última vítima portuguesa do terrorismo tinha sido um jovem emigrante, Renato Silva, alvejado na cabeça durante um sequestro a um supermercado em Trèbes (sul de França) levado a cabo por um jihadista francês de origem marroquina, Radouane Lakim. Foi em março de 2018. O Presidente da República visitou-o no hospital. Sobreviveu.

2017 - Barcelona e Mali

Em agosto deste ano, uma portuguesa de 74 anos, e a neta de 20 anos, estiveram entre as 14 vítimas mortais atropeladas num atentado terrorista em Barcelona.

Neste ano, no Mali, um soldado português em missão naquele país, foi uma das vítimas mortais de uma ataque de rebeldes.

2016 - Burkina Faso

Em janeiro, 29 pessoas morreram no Burkina Faso, entre elas António Basto, natural de Massarelos.

2015 - Tunísia e Paris

Na Tunísia, Maria da Glória Moreira, 76 anos, viúva, foi uma das 38 vítimas mortais de um ataque terrorista numa estância turística em Sousse, a 26 de junho. Este episódio veio chamar a atenção para a falta de apoio às vítimas portuguesas no estrangeiro.

Nos atentados de Paris, em novembro deste ano, estavam três portugueses entre os mais de 130 mortos: Manuel Colaço Dias, 63 anos, de Mértola (no atentado junto ao Estádio de França), Précilia Correia, 35, do Montijo (no Bataclan), e Christine Gonçalves, de 50 anos.

2014 - Mali

Quase dois anos após ter sido sequestrado por um grupo jihadista no Mali, Gilberto Rodrigues Leal, de 62 anos, foi morto pelos raptores no final de abril de 2014. Nasceu em Portugal mas tinha nacionalidade francesa.

2011 - Marrocos

Em Marrocos, num atentado contra o turístico café Argana, em Marraquexe, 17 pessoas morreram, na maioria estrangeiros, entre eles André Silva, português de 23 anos.

2002 - Indonésia

Em Bali, Indonésia, o soldado paraquedista Diogo Ribeirinho foi uma das 202 vítimas mortais de um atentado numa discoteca.

2001 - EUA

Cinco das mortes ocorreram logo no ataque às torres gémeas, a 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque: António Rocha, Carlos da Costa, João Aguiar, Manuel da Mota e António Carrusca Rodrigues tinham entre 30 e 41 anos.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?