Confirmada morte da segunda portuguesa no ataque em Barcelona

Jovem de 20 anos estava dada como desaparecida desde o ataque

O primeiro-ministro confirmou na manhã deste sábado a morte da portuguesa de 20 anos que estava desaparecida desde o atentado em Barcelona, na passada quinta-feira.

Em declarações aos jornalistas em Vila Real, António Costa referiu que recebeu confirmação do secretário de Estado das Comunidades, que se encontra em Barcelona, de que a jovem está entre as vítimas mortais, tal como a avó, de 74 anos. As duas mulheres, de nacionalidade portuguesa, tinham aterrado em Barcelona horas antes dos atentados, na quinta-feira.

Sabe-se que se tinham alojado num hotel e terão saído para passear nas Ramblas, tendo sido apanhadas pela carrinha que atropelou dezenas de pessoas a alta velocidade.

"Queria mais uma vez apresentar condolências à família e sinalizar que isto demonstra bem como a ameaça é de facto uma ameaça global, não só porque pode surgir em todo o sitio como também pode atingir qualquer um. Mesmo não sendo na nossa terra, é também no sítio onde estamos em férias, em turismo, em trabalho", afirmou António Costa.

O chefe do executivo sublinhou que a ameaça terrorista tem de ser levada "muito a serio": "Hoje foi em Barcelona, amanhã pode ser noutro sítio, esperamos que nunca seja em Portugal, mas é um risco que todos temos, obviamente, de assumir que existe".

A morte da mulher de 74 anos estava confirmada desde a manhã de sexta-feira, mas o paradeiro da neta estava por apurar. Ontem à noite, os pais da jovem foram chamados pelas autoridades espanholas para verificarem a identidade de uma das vítimas no Instituto Forense.

Marcelo Rebelo de Sousa disse na noite de sexta-feira que já tinha falado ao telefone com o pai da jovem, que é filho da outra vítima mortal, para lhe transmitir as condolências.

14 portugueses vítimas de terrorismo

Com este novo balanço, sobe para 14 o número de vítimas portuguesas de atentados 'jihadistas'.

Cinco portugueses morreram nos atentados de 11 de setembro de 2001. Alguns trabalhavam nas Torres Gémeas em Nova Iorque. António Rocha, Carlos da Costa, João Aguiar, Manuel da Mota e António Carrusca Rodrigues tinham entre 30 e 41 anos. Um ano depois, na Indonésia, o soldado paraquedista Diogo Riberinho foi uma das 202 vítimas mortais dos atentados de outubro de 2002 na ilha de Bali. Membro do contingente destacado em Timor-Leste, encontrava-se na altura de férias.

Em Marrocos, em 2011, num atentado contra o turístico café Argana, em Marraquexe, 17 pessoas morreram, na maioria estrangeiros, entre eles André Silva, português de 23 anos. No Mali, em 2014, Gilberto Leal foi morto por um grupo jihadista que o raptara dois anos antes. Na Tunísia, em 2015, Maria da Glória Moreira, 76 anos, viúva, foi uma das 38 vítimas mortais de um ataque terrorista a um resort em Sousse, a 26 de junho.

Nos atentados de Paris, em novembro de 2015, estavam três portugueses entre os 130 mortos, entre eles Manuel Colaço Dias, 63 anos, de Mértola (no atentado junto ao Estádio de França), Précilia Correia, 35,do Montijo (no clube Bataclan), e Christine Gonçalves, de 50 anos. Em janeiro de 2016, 29 pessoas morreram nos no Burkina Faso, entre elas António Basto, natural de Massarelos, que vivia em França desde os sete anos.

O DN confirmou com fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que não houve ainda ordem para reforçar a segurança nos postos fronteiriços terrestres, aeroportos e portos e que o nível de alerta se mantém no grau 3 (moderado), numa escala de 0 a 5. O Presidente da República, em declarações à RTP, referiu que o Governo considera que não existe, para já, necessidade de aumentar o nível de alerta em Portugal.

Espanha procura autor material do atropelamento nas Ramblas

Os Mossos d'Esquadra continuam à procura do condutor da carrinha que atropelou dezenas de pessoas nas Ramblas, em Barcelona. Segundo o El País, as autoridades estão nesta altura a trabalhar em duas frentes: por um lado, para desarticular a célula 'jihadista' que era formada por mais de uma dezena de pessoas, rapazes de origem marroquina que viviam em Ripoll; por outro, procuram identificar sem margem para dúvidas o condutor do veículo que fez 13 vítimas mortais.

Inicialmente, o autor material do crime fora identificado como Moussa Oukabir, de 17 anos, mas, na noite de sexta-feira, o chefe da polícia catalã admitiu que a hipótese de ser Oukabir o principal suspeito perdia peso. O jovem foi um dos cinco mortos em Cambrils, durante um segundo atentado na madrugada de sexta-feira.

A hipótese que ganhou força entretanto foi a de que o condutor da carrinha que matou nas Ramblas se trate de Younes Abouyaaqoub, um marroquino de 22 anos A polícia catalã confirmou de forma oficial que é ele a pessoa procurada, tendo os Mossos d'Esquadra lançado um forte dispositivo policial em torno da estação de Girona e outras localizações para o tentar capturar.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.

Premium

Opinião

Angola, o renascimento de uma nação

A guerra do Kosovo foi das raras seguras para os jornalistas. Os do poder, os kosovares sérvios, não queriam acirrar ainda mais a má vontade insana que a outra Europa e a América tinham contra eles, e os rebeldes, os kosovares muçulmanos, viam nas notícias internacionais o seu abono de família. Um dia, 1998, 1999, não sei ao certo, eu e o fotógrafo Luís Vasconcelos íamos de carro por um vale ladeado, à direita, por colinas - de Mitrovica para Pec, perto da fronteira com o Montenegro. E foi então que vi a esteira de sucessivos fumos, adiantados a nós, numa estrada paralela que parecia haver nas colinas.