Uma luso-francesa e um alentejano entre os mortos

Manuel Dias, 63 anos, morreu quando levava três pessoas ao estádio. Précilia, 35, estava na sala Bataclan.

"Pensamos que só acontece aos outros, desta fez os ataques do Estado Islâmico deixaram-me de luto...", escreveu Nuno Dias na sua página de Facebook. "Nunca pensei que pudesse acontecer na minha família". É sobrinho de Manuel Colaço Dias, uma das duas vítimas dos ataques terroristas de sexta-feira à noite, em Paris. A outra é Précilia Correia, uma luso-francesa de 35 anos que estava na sala de espectáculos La Bataclan. O seu nome foi confirmado ao fim do dia pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

Manuel Colaço Dias, de 63 anos, vivia em França há 45 anos com a mulher e os dois filhos, um rapaz com 28 anos e uma rapariga com 30. A filha estava em Portugal com a mãe a tratar dos papéis para o casamento, explicou o tio, Joaquim Dias, que vive em Portugal, à TVI. Foi ela, aliás, que entrou em contacto com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas na sexta-feira à noite por não conseguir falar com o pai.

A vítima era motorista e na noite de sexta-feira levou três pessoas ao estádio nacional para assistirem ao jogo França-Alemanha, junto ao qual ocorreu um dos atentados. "Foi encontrada a carrinha que conduzia e só bastante mais tarde, de manhã, é que conseguimos confirmar a identidade", explica o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, ao telefone com o DN.

Alentejano, Manuel Colaço Dias era natural de Corte de Pinto, a 20 quilómetros de Mértola, e foram os seus pais os primeiros a emigrar para França, explicou ao DN Armando Pires, que vive nesta aldeia e conheceu a família.

"Bem-disposto e amigo de o seu amigo". É assim que Francisca Dias, casada com um primo direito de Manuel Colaço Dias se lembra dele. "Enquanto os pais foram vivos vinham todos os anos", contou. Na terra conheciam-no bem e na página de Amigos de Corte de Pinto no Facebook muitos queriam ter a certeza sobre a sua identidade. O sobrinho confirmou. Seguiram-se mensagens de pêsames à família de Barreno, a alcunha que herdou do pai. À Lusa, o presidente da Câmara de Mértola, considerou como um "momento muito triste" a perda deste "filho da terra".

A segunda vitima de origem portuguesa estava no concerto dos Eagles of Death Metal

A hipótese de haver outros portugueses entre as vítimas nunca foi descartada. Cerca das 20.30, José Cesário confirmou o pior cenário. As autoridades francesas identificaram Précilia Correia, filha de pai português e mãe francesa, entre os que morreram na sala La Bataclan.

Corpos por identificar

Os nomes dos que perderam a vida não foram ainda divulgados por motivos de segurança, explicou José Cesário ao DN. "Sabe-se que há terroristas mortos, há outros não identificados como terroristas mas suspeitos", nota. "Temos recebido muitos telefonemas e tem sido identificado o paradeiro de quase todos. De outros ainda estamos a trabalhar", disse Cesário.

Um português, um espanhol, dois belgas, dois romenos e duas tunisinas foram identificados entre os 128 mortos dos atentados, segundo as autoridades dos respetivos países. Há também 300 feridos (80 em estado grave). Entre eles, fora de perigo, foi identificado um cabo-verdiano que trabalha na Bataclan, de acordo com a embaixadora de Cabo Verde em França.

Os investigadores dos seis atentados identificaram já "várias dezenas" dos mortos, informou a ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, frisando que o processo "requer algum tempo, mas sobretudo rigor".

Ler mais

Exclusivos

Premium

adoção

Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.