"Eduardo Bolsonaro contraiu vírus mental", acusa embaixador chinês

Deputado culpara a China pela pandemia de Coronavírus. Vice-presidente Hamiltin Mourão relativiza: "Se ele se chamasse Eduardo Bananinha ninguém ligava"

"Quem assistiu Chernobyl [série do canal HBO sobre o desastre nuclear de 1986] vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. [...] Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. [...] A culpa é da China e liberdade seria a solução".

A publicação nas redes sociais de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente da República, causou reação imediata de Yang Wanming, embaixador da China no Brasil: "A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty [sede do ministério das relações exteriores brasileiro] e à Câmara dos Deputados".

A afirmação de Eduardo Bolsonaro foi ainda classificada pela embaixada do país asiático de "totalmente irresponsável". "Ele contraiu vírus mental", ironizou. "As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental, que está infectando a amizades entre os nossos povos (...) Lamentavelmente, você é uma pessoa sem visão internacional nem senso comum, sem conhecer a China nem o mundo. Aconselhamos que não corra para ser o porta-voz dos EUA no Brasil, sob a pena de tropeçar feio".

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. O comércio bilateral entre os países saltou de 3,2 mil milhões de dólares em 2001 para 98 mil milhões em 2019.

Segundo o vice-presidente Hamilton Mourão, entretanto, a posição de Eduardo, pelo peso do apelido, cria desgaste diplomático mas não representa a opinião do governo. "O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo", disse Mourão ao jornal Folha de S. Paulo. "Não é a opinião do governo. Ele tem algum cargo no governo?", concluiu.

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