Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico
RONALD WITTEK

Seleção de Cabo Verde encanta e já sonha com um segundo milagre no Atlântico

Participação está a encantar os amantes do futebol e já pede uma sequela do documentário sobre a histórica qualificação.
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O documentário “Um milagre no Atlântico”, que detalha a épica qualificação de Cabo Verde para o Mundial2026, o primeiro da história dos tubarões azuis, ainda não estreou, mas já pede uma sequela. A participação da seleção está a surpreender desportivamente e a encantar os amantes do futebol mundial, que fizeram de Vozinha, um guarda-redes de 40 anos e sem clube depois de duas temporadas no Desp. Chaves na II Liga, a primeira grande figura a emergir do Mundial2016.

E se a viagem até aos EUA só foi garantida na última oportunidade da qualificação, logo no avião a seleção mostrou a forma de ser e estar dos caboverdianos. As imagens partilhadas pelos jogadores e pela federação nas redes sociais mostram o bom ambiente da comitiva rumo ao primeiro Campeonato do Mundo de Futebol, mas assim que a bola começou a rolar, eles fizeram mais do que participar.

A seleção liderada por Bubista mostrou muita organização defensiva - estiveram seis jogos sem sofrer golos nos dez da qualificação - e capacidade ofensiva, maturidade emocional e muita capacidade física nos dois duelos de nível máximo de exigência - Espanha (0-0) e Uruguai (2-2) e com o mesmo desfecho: dois empates com sabor a vitória, que deixam Cabo Verde a sonhar com a passagem aos 16-avos-de-final.

Mas foi o lado humano dos tubarões azuis a cativarem não só os apaixonados do futebol como os adeptos mais racionais. Vozinha sobressaiu pela competência com que manteve a baliza a zero diante da Espanha, com sete intervenções históricas, duas delas sérias candidatas a melhor do Mundial e tornou-se num ícone global e digital.

Emocionado, e depois de receber o prémio de melhor em campo, Vozinha partilhou que a mãe, não tinha conseguido um visto para o ir ver jogar. O Mundo sentiu a sua dor e a Federação Caboverdiana de Futebol, a FIFA e os governos dos EUA e de Cabo Verde uniram esforços para que Ana Cândida Évora chegasse a Miami a tempo do jogo com o Uruguai. A presença dela no estádio foi mais uma motivação para Vozinha e a seleção garantirem mais um empate. Até o presidente da FIFA Gianni Infantino foi conhecer a mãe de Vozinha no final do encontro com os uruguaios.

O último jogo no Grupo H do Mundial2026 é com a Arábia Saudita e os Tubarões Azuis já avisaram que vão à procura da vitória e da passagem aos 16-avos-de-final. O que seria ainda mais histórico e digno de registo como o segundo milagre do Atlântico. Mas seja qual for o resultado, Cabo Verde já ganhou o Mundial dentro e fora de campo.

O bom ambiente dos adeptos tem sido destacado pelos meios de comunicação social de todo o Mundo presentes do Mundial2026. E, se em algumas cidades dos EUA, sobressaíram as imagens das apertadas medidas de segurança, em Boston e Miami, local dos jogos da equipa, nem os polícias resistiram à alegria e boa onda vivida na fan zone repleta de caboverdianos, uma comunidade de 500 mil habitantes na região de Miami.

isaura.almeida@dn.pt

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