Roberto Martínez fala em  flexibilidade e abre porta a mudanças no onze para o teste com o Chile
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Roberto Martínez fala em flexibilidade e abre porta a mudanças no onze para o teste com o Chile

Selecionador nacional desvaloriza resultado do amigável e assume foco na preparação para o Mundial, admitindo várias alterações e maior competitividade interna
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Roberto Martínez assumiu esta sexta-feira (5 de junho) que o jogo de preparação frente ao Chile será, acima de tudo, um ensaio competitivo para o Campeonato do Mundo, insistindo na necessidade de criar uma seleção mais versátil, menos dependente de um onze fixo e capaz de responder a diferentes cenários táticos. Na antevisão ao encontro, o selecionador nacional explicou que a experiência acumulada em grandes competições reforçou uma convicção: “é preciso uma grande flexibilidade tática”.

À entrada para mais um particular da preparação portuguesa, Martínez deixou claro que o resultado não será a principal prioridade. O foco, explicou, está no crescimento individual dos jogadores e na criação de novas dinâmicas dentro do grupo. “Queremos ganhar, mas essa não é a prioridade”, afirmou, revelando que frente ao Chile a equipa técnica pretende utilizar as 11 substituições disponíveis, numa estratégia pensada para dar minutos e recolher indicadores sobre o rendimento do plantel.

O técnico espanhol justificou a abordagem com a proximidade do Mundial e com a exigência dos adversários que Portugal encontrará pelo caminho. Segundo Martínez, os jogos desta fase já apresentam semelhanças com o tipo de desafios esperados na competição internacional, considerando que o Chile poderá oferecer pistas importantes, sobretudo pela intensidade e características típicas do futebol sul-americano.

“Os adversários que vamos enfrentar agora já têm parecenças com o que vamos encontrar no Mundial”, explicou o selecionador, apontando traços comuns entre a formação chilena e seleções como a Colômbia, adversária futura dos portugueses. Martínez destacou ainda que o encontro será especialmente importante para avaliar o comportamento da equipa sem bola e a resposta nos momentos de transição defensiva.

Ao abordar o modelo de jogo, o selecionador rejeitou uma visão excessivamente rígida do futebol e assumiu que pretende desenvolver uma equipa mais adaptável. “A experiência de ter tido sete jogos no Mundial da Rússia fez-me perceber que é preciso uma grande flexibilidade tática que te permita adaptar e não ter aspetos táticos fechados e muito rígidos”, afirmou, acrescentando que os particulares servirão também para trabalhar comportamentos defensivos.

Essa lógica estende-se igualmente à gestão do grupo. Sem alguns habituais titulares disponíveis, Martínez recusou dramatizar ausências e aproveitou para reforçar a ideia de competitividade interna. “Queremos abrir o onze inicial a toda a gente. Não podemos ter só um onze”, afirmou, lembrando que a equipa soma já 38 jogos em conjunto e que o objetivo passa por terminar os encontros “ainda melhor” do que começam, aproveitando o impacto das substituições.

No plano clínico, o selecionador confirmou a ausência de Matheus Nunes para o jogo com o Chile, embora tenha deixado aberta a possibilidade de o médio recuperar a tempo do encontro com a Nigéria. Quanto a João Félix, o avançado será reavaliado, mas Martínez mostrou-se otimista quanto à sua disponibilidade.

Também houve espaço para falar do momento de forma dos jogadores portugueses do Paris Saint-Germain, recém-campeões europeus. Para Martínez, o sucesso ao mais alto nível reforça a confiança do grupo. “Quando ganhas a Champions acreditas que podes ganhar tudo”, disse, destacando particularmente Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos, jogadores que considera estar num momento elevado de rendimento.

Questionado sobre a possibilidade de uma final do Mundial entre Portugal e Espanha, Martínez preferiu baixar expectativas. “Para já só temos três jogos, não temos oito”, respondeu, sublinhando a necessidade de encarar cada etapa com prudência.

O selecionador abordou ainda a preparação logística da equipa, explicando que Portugal optou por permanecer mais tempo em território nacional antes da deslocação aos Estados Unidos, onde decorrerá parte da preparação, para maximizar o trabalho realizado e gerir melhor o impacto das condições climatéricas e físicas.

Confrontado com a ideia de que as suas decisões parecem excessivamente suportadas por números e métricas, Martínez rejeitou qualquer excesso de racionalidade, defendendo um equilíbrio entre análise estatística e perceção técnica. “Hoje no futebol podemos medir tudo e temos de tomar decisões mediante isso”, sustentou.

No final da conferência, questionado sobre a forma como gere a relação com Cristiano Ronaldo - numa comparação com Lionel Scaloni, selecionador da Argentina, que admite consultar frequentemente Lionel Messi - Martínez respondeu de forma curta, mas elucidativa: “Nós trabalhamos de forma diferente.”

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