Roberto Martínez deixa a seleção: "Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e sem ganhar não faz sentido continuar"
CHRISTOPHER NEUNDORF

Roberto Martínez deixa a seleção: "Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e sem ganhar não faz sentido continuar"

Selecionador nacional confirmou fim de ciclo após a eliminação de Portugal nos oitavos de final, diante da Espanha.
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É o fim da linha para Roberto Martínez no comando da seleção portuguesa. O espanhol anunciou que fez o seu último jogo pela seleção portuguesa, logo após a eliminação do Mundial2026, diante da Espanha. "É certo que é o meu último jogo na Seleção de Portugal... Mas tenho duas notas: primeiro agradecer ao povo português porque foi um período incrível, um orgulho que não posso descrever. A força, a energia dos adeptos, de todo o povo. Agradecer por isso. Levo comigo uma memória para toda a vida. Depois, agradecer o trabalho dos jogadores porque foi incrível. Muito talento."

O balanço da passagem por Portugal é positivo, sergundo o técnico. "São 45 jogos, os melhores números da história de Portugal [30 vitórias]. E esse é o compromisso dos jogadores. Memórias de ganhar a Liga das Nações [2025], de bater recordes... Agradecer muito à Federação por todas as condições, à equipa técnica, que desde o primeiro dia mostrou um nível de profissionalismo incrível. Levo comigo memórias incríveis destes três anos e meio. Deixo o meu agradecimento ao povo português".

Quando questionado se esta decisão de sair já estava tomada antes do Mundial, respondeu que "não", mas ele tinha uma missão e falhou. "Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e acho que, sem ganhar, não faz sentido continuar. A direção e o presidente têm agora a possibilidade de escolher o novo selecionador", respondeu Roberto Martínez ressalvando que Pedro Proença sempre apoiou o seu trabalho, mas isso não muda o desfecho final: "O contrato terminou hoje."

E, segundo Martínez, a derrota com Espanha não é vergonha alguma. "Não falhámos. Perdemos contra um favorito. Jogámos olhos nos olhos, fomos nós mesmos, mostrámos um talento individual incrível. Tentámos até ao último minuto, dar tudo o que temos. Os jogadores foram incríveis, exemplares. E é isso que te faz ser ganhador no futebol e na vida. Levo um legado incrível e espero que os adeptos portugueses possam relembrar que a equipa técnica e eu tentámos dar tudo, a vida, durante estes anos", disse, elogiando a coragem defensiva e a agressividade da equipa: "Acho que tivemos um bocadinho de azar, a sorte não esteve do nosso lado."

"Não há muitos Cristianos..."

O técnico espanhol deixou ainda palavras de agradecimento a Ronaldo porque foi um capitão exemplar: "Cheguei a Portugal num momento de muita confusão, de muitas dúvidas com a posição do Cristiano [após o desentendimento com Fernando Santos no Mundial2022] e para mim foi um exemplo. Não só a nível de golos, e a estatística diz tudo, mas de assistências. É o compromisso no dia-a-dia, a forma como vive o futebol. É um exemplo e algo que temos de celebrar. Estamos a falar de um ícone do futebol, não há muitos Cristianos. Agradecer-lhe para sempre o que tentou fazer neste Mundial. O sonho era ganhar e tentou, deu um exemplo incrível a nível futebolístico e humano no balneário. E toda a equipa leva para sempre. Um exemplo no futebol, um exemplo de desportista e de ser humano."

Sobre a questão que mais lhe fizeram neste mundial - porque Gonçalo Ramos jogou tão pouco no mundial e não foi opção frente a Espanha? - respondeu que "fisicamente, o Cristiano estava totalmente apto a jogar 90 minutos" e que o avançado do PSG seria a opção para o prolongamento, que não chegou a acontecer.

As explicações para a seleção portuguesa ter sido muito inconstante no Campeonato do Mundo ficaram aquém do esperado. "Não é só Portugal... Há poucas seleções que, de forma consistente, chegam às fases finais de um Mundial. Estamos a falar dos melhores jogadores do mundo, das melhores seleções. Essa consistência é difícil. Mas também é difícil ter a consistência de qualificar em todos os torneios. E é isso que Portugal está a fazer", segundo o agora ex-selecionador nacional.

Na hora de sair de cena, Roberto Martínez elogiou o futebol português: "A formação de Portugal é um exemplo para todo o mundo, um país de 10 milhões de habitantes... Mas depois há detalhes. A bola ir à barra, entrar ou não entrar, um livre rápido, um substituto que entra e marca... E essa é a diferença. Portugal é uma seleção de nível máximo pela consistência que tem desde 2002 e pelo que faz a nível do futebol."

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