O futebol muda esta noite. No Estádio Azteca, na Cidade do México, arranca o Campeonato do Mundo de 2026 — a edição mais ambiciosa da história, com 48 seleções, 104 jogos e três países anfitriões: México, Canadá e Estados Unidos.O jogo inaugural entre México e África do Sul marca o início de uma competição inédita não apenas pela dimensão, mas também pelas novas regras impostas pela FIFA, tanto dentro como fora do relvado, que prometem alterar a forma como o Mundial será jogado e vivido pelos adeptos.De um lado, a FIFA quer reduzir perdas de tempo, acelerar o ritmo de jogo e reforçar os poderes do VAR. Do outro, decidiu apertar o controlo sobre conteúdos digitais e endurecer algumas regras de acesso aos estádios, numa tentativa de proteger os direitos audiovisuais do torneio e reforçar medidas de segurança.No que diz respeito aos adeptos, a FIFA reforçou as limitações sobre o uso de imagens do Mundial nas plataformas digitais. Os espectadores continuam autorizados a filmar momentos da experiência no estádio, incluindo ambiente, celebrações e imagens gerais para uso pessoal. No entanto, fica proibida a retransmissão de jogos ou a utilização sistemática e comercial de golos, jogadas, sequências de jogo ou imagens oficiais sem autorização, sobretudo quando possam competir com os detentores dos direitos televisivos do torneio.A entidade máxima do futebol mundial admite ainda multas e sanções para empresas, plataformas ou criadores de conteúdo que explorem material protegido sem autorização, com penalizações que poderão variar consoante a gravidade da infração..As restrições estendem-se também ao que os adeptos podem levar para dentro dos estádios. A FIFA proibiu a entrada de garrafas reutilizáveis de água nos recintos do Mundial, justificando a medida com razões de segurança e o risco de objetos serem atirados para o relvado ou bancadas. Depois da polémica gerada pela decisão, a organização acabou por permitir uma garrafa descartável, selada de fábrica e até 590 mililitros por pessoa, mantendo proibidos recipientes reutilizáveis ou rígidos. A decisão tem sido criticada devido às temperaturas elevadas previstas em várias cidades anfitriãs, levantando preocupações relacionadas com hidratação e bem-estar dos adeptos.As mudanças fora do campo não são, contudo, as únicas. Dentro das quatro linhas, a FIFA quer combater o antijogo e aumentar o tempo útil de bola em jogo.Os jogadores substituídos passam a ter apenas dez segundos para abandonar o relvado. Caso ultrapassem esse limite, o substituto terá de esperar um minuto antes de entrar, deixando temporariamente a equipa reduzida a dez jogadores.Também os lançamentos laterais e pontapés de baliza passam a estar sujeitos a uma contagem de cinco segundossempre que os árbitros identifiquem demoras excessivas. Se a reposição não for feita dentro do tempo, a posse poderá passar ao adversário ou resultar num pontapé de canto.Outra alteração relevante envolve assistência médica. Jogadores de campo que recebam tratamento terão de permanecer fora do relvado durante um minuto após o reinício da partida, salvo exceções previstas no regulamento, numa tentativa de evitar interrupções estratégicas. Além disso, lesões de guarda-redes deixam de poder servir como pausas tácticas improvisadas, impedindo treinadores de aproveitarem esses momentos para transmitir instruções à equipa.Entre as novidades disciplinares está ainda uma regra que promete gerar debate. Jogadores que tapem deliberadamente a boca durante confrontos ou discussões em campo poderão ser sancionados com cartão vermelho direto, uma medida introduzida após polémicas recentes envolvendo alegações de insultos discriminatórios impossíveis de verificar devido à ocultação dos lábios. A mudança foi impulsionada pelo caso envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior, num encontro europeu entre Benfica e Real Madrid, no início do ano.O vídeoárbitro também ganha mais influência. O VAR passa a poder rever situações anteriormente fora do seu alcance, incluindo segundos cartões amarelos incorretamente mostrados, erros de identificação do jogador punido e cantos claramente mal assinalados.No plano disciplinar, os cartões amarelos serão anulados em dois momentos da competição: no final da fase de grupos e após os quartos-de-final, reduzindo o risco de suspensões em fases decisivas do torneio.Enquanto o mundo acorda para o maior Mundial de sempre, Portugal parte esta sexta-feira para os Estados Unidos, depois dos encontros de preparação frente ao Chile e à Nigéria. A seleção nacional ficará instalada em Palm Beach, na Florida, e estreia-se no Grupo K a 17 de junho, frente à República Democrática do Congo, em Houston..FIFA ainda não tem um parceiro no país mais populoso do Mundo.FIFA reforça combate ao doping no Mundial 2026 e EUA aliviam regras para adeptos estrangeiros