A 13 dias do pontapé de saída do Mundial de futebol no México, Estados Unidos e Canadá, a FIFA ainda não tem parceiro nas transmissões de media no maior mercado do mundo, a Índia, país de 1,475 mil milhões de habitantes. Atualmente, o organismo tem uma proposta conjunta da Reliance, empresa indiana, e da Disney, empresa americana, de 20 milhões de dólares como principal oferta, ainda assim muito aquém dos 60 milhões desejados, noticiou a Reuters.Para comparação, na China, o segundo país mais populoso do planeta, com 1,412 milhões de habitantes, a proposta atinge esses 60 milhões. Nos Estados Unidos, terceiro país mais populoso e maior consumidor de desporto por TV e afins, a Fox pagou um total de 425 milhões pelos Mundiais de futebol de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar, e 10% a mais pelo evento de 2026, que o país co-sedia. Mesmo sem nunca ter participado num Mundial e num modestíssimo 136.º lugar no ranking FIFA, a Índia representa, por norma, quase 3% do alcance global da prova. Em paralelo, o país asiático lidera em vídeos no YouTube. O conteúdo indiano – leia-se criado por contas na Índia – na plataforma já supera os vídeos dos Estados Unidos, segundo dados fornecidos pela Tubular Labs à revista Forbes. São 100 mil milhões de visualizações e 5,4 milhões a mais acima dos vídeos americanos. Especificamente em conteúdo de futebol desde o dia 1 de julho de 2025, a Tubular revela que o conteúdo indiano representa 3,7% das visualizações do YouTube nesse período, equivalente a 11,8 mil milhões de visualizações, o 7.º lugar no ranking geral. A capacidade da Índia de competir em termos de audiência de vídeo destaca, portanto, uma base de fãs que a FIFA não pode ignorar. E sublinha ainda como o YouTube pode ser a melhor maneira de alcançá-la. O YouTube, porém, não parece estar entre os interessados nos direitos de transmissão do jogo, apesar de um acordo que permite aos detentores globais dos direitos exibir os primeiros 10 minutos da partida ao vivo na plataforma.A FIFA, entretanto, sente que não se pode dar ao luxo de perder a Índia. Com um número maior de participantes no evento – 48, pela primeira vez este ano, e com tendência para chegar a 64 em breve –, a seleção nacional indiana pode sonhar um dia com o apuramento mas para isso é preciso que as autoridades e a população, sobretudo a jovem, se envolvam com o desporto num país muito ligado sobretudo ao cricket e ao hóquei em campo.A tendência por isso, segundo a Reuters e a Forbes, é a FIFA aceitar os 20 milhões de dólares, mesmo que fiquem aquém do esperado, porque perder centenas de milhões de eventuais espectadores indianos no Mundial pode equivaler a fortes perdas a longo prazo, uma vez que a pirataria reina num país onde 55% do público assiste a conteúdo ilegalmente. Dar ao público indiano mais um motivo para assistir e potencialmente distribuir transmissões piratas do Mundial parece, no mínimo, muito arriscado para a FIFA. Em suma, o futebol não poderá abdicar do país mais populoso do mundo no futuro; já a Reliance-Disney passará bem sem a prova.Mais números40. Os milhões de dólares de diferença entre o que a FIFA quer e o que a Reliance oferece.1475. Os milhões de habitantes da Índia, que desde 2023 ultrapassou a China na liderança dos países mais populosos.100. Os milhares de milhões de visualizações no YouTube de conteúdo indiano.