Seleção holandesa foi a sensação do Mundial de 1974.
Seleção holandesa foi a sensação do Mundial de 1974. Foto: DR/FIFA

História dos Mundiais. Em 1974, ‘Laranja Mecânica’ entrou para a eternidade, mas título ficou com os alemães

Holanda de Johan Cruyff revolucionou o futebol com o “futebol total”, mas foi a Alemanha Ocidental quem levantou a nova taça da FIFA em casa.
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Ao longo da história dos Mundiais, foram muitos os momentos na qual algum jogador ficou marcado como o grande personagem do torneio sem ser da seleção campeã. Depois de 1954, quando Puskás ficou com o vice com a Hungria e 1966, quando Eusébio alcançou um terceiro lugar com Portugal, em 1974 foi a vez de outro jogador ficar eternizado mesmo sem o título: o neerlandês Johann Cruyff.

O Mundial daquele ano marcava o início de uma nova era. Depois de o Brasil conquistar em definitivo a Taça Jules Rimet quatro anos antes, a FIFA apresentou um novo troféu, desenhado pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga. Seria a primeira vez que a atual taça do Mundial seria erguida por um campeão.

Atual taça do Mundial foi erguida pela primeira vez em 1974.
Atual taça do Mundial foi erguida pela primeira vez em 1974. Foto: DR/FIFA

A verdadeira revolução daquele Mundial, no entanto, aconteceu dentro dos relvados. Disputada na Alemanha Ocidental, a competição apresentou ao planeta a Holanda de Rinus Michels e Johan Cruyff, uma equipa que simplesmente transformou a forma de pensar o futebol. Os jogadores trocavam constantemente de posição, pressionavam sem bola e atacavam em bloco, num estilo que ficou conhecido como “futebol total”.

Eternizada como “Laranja Mecânica”, inspirada no filme homónimo, clássico realizado por Stanley Kubrick na década de 70, aquela seleção deslumbrou adeptos e adversários. Liderada por Cruyff, considerado por muitos o maior futebolista europeu da história, a Holanda atropelou os rivais ao longo da competição. Passou pela Argentina com um contundente 4-0, venceu o Brasil por 2-0 e chegou à final como grande favorita ao título.

Mas do outro lado estava uma sempre sólida Alemanha Ocidental, desta vez com craques como Franz Beckenbauer, Sepp Maier, Paul Breitner e Gerd Müller. Jogando em casa, os alemães já tinham mostrado a sua força ao longo do torneio, mas poucos imaginavam que conseguiriam travar o vendaval holandês.

Bo Larsson e Johann Cruyff em Holanda - Suécia, confronto que se repetirá no Mundial de 2026.
Bo Larsson e Johann Cruyff em Holanda - Suécia, confronto que se repetirá no Mundial de 2026.Foto: DR

A final começou de forma arrasadora para os neerlandeses. Antes de qualquer jogador alemão tocar na bola, Cruyff arrancou desde o meio-campo, sofreu penálti e viu Johan Neeskens abrir o marcador. Parecia o início de uma consagração histórica. Mas a Alemanha reagiu: Breitner empatou também de penálti e, ainda antes do intervalo, Gerd Müller marcou o golo que deu a vitória por 2-1 aos anfitriões.

Pela segunda vez na história dos Mundiais, os alemães derrotavam na final a equipa que havia encantado o torneio. Tal como acontecera contra a Hungria de Puskás em 1954, a eficiência venceu a plasticidade. Coube a Beckenbauer, o “Kaiser”, liderar uma das equipas mais sólidas da história do futebol europeu rumo ao segundo título mundial. Portugal, pelo segundo torneio consecutivo, ficou de fora daquele campeonato.

Alemanha Ocidental saiu com o troféu em 1974.
Alemanha Ocidental saiu com o troféu em 1974.Foto: DR/FIFA

Cinco décadas depois, o Mundial de 1974 continua a ser recordado, é claro, pelo triunfo alemão mas muito também pela herança que a Holanda de Cruyff deixou para o desporto. Afinal, são as poucas equipas que não ganham um torneio e, ainda assim, mudaram para sempre a história do futebol.

Muito menos encantadora, mas ainda assim uma seleção a ter em conta, a Holanda chega para este Mundial no Grupo F, ao lado de Japão, Suécia e Tunísia. Faltam 13 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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