Jogadores da Alemanha celebram vitória contra Hungria no "Milagre de Berna".
Jogadores da Alemanha celebram vitória contra Hungria no "Milagre de Berna".Foto: DR/FIFA

História dos Mundiais. Em 1954, a Alemanha conquistou título ao derrubar a Hungria no “Milagre de Berna”

Com média recorde de golos e uma das maiores finais da história, Mundial da Suíça eternizou o craque húngaro Ferenc Puskás mesmo sem o título e recuperou o ânimo de uma país devastado no pós-guerra.
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O Mundial de 1954 entrou para a história como uma explosão ofensiva sem precedentes. Disputada na Suíça, a competição registou impressionantes 140 golos em apenas 26 partidas - média de 5,38 por jogo, recorde que continua intacto até hoje. Só na fase de grupos foram 92 golos em 18 encontros, numa edição marcada por goleadas, jogos caóticos e futebol ofensivo praticamente do início ao fim.

No centro daquele furacão estava a Hungria de Ferenc Puskás, até hoje considerado um dos maiores atletas da história do futebol. Conhecida como os “Magiares Mágicos”, a seleção encantava a Europa havia anos e chegava ao Mundial invicta há quatro temporadas. Meses antes do torneio, os húngaros tinham humilhado a Inglaterra em Wembley por 6-3, num resultado considerado revolucionário para o futebol europeu.

Com Puskás, Kocsis, Czibor e Hidegkuti, a Hungria parecia imparável. Aplicou 9-0 na Coreia do Sul, atropelou a própria Alemanha Ocidental por 8-3 ainda na fase de grupos e eliminou Brasil e Uruguai nas eliminatórias a caminho da final. Puskás, conhecido como “Major Galopante”, já era tratado como o melhor jogador do planeta.

Mas a decisão em Berna reservava um dos capítulos mais improváveis da história dos Mundiais. Debaixo de chuva intensa, a Hungria abriu 2-0 nos primeiros oito minutos e parecia caminhar para mais uma goleada. A Alemanha Ocidental, porém, reagiu rapidamente e empatou ainda no primeiro tempo. A seis minutos do fim, Helmut Rahn marcou o golo da vitória alemã por 3-2 no jogo que ficaria eternizado como o “Milagre de Berna”.

As casas de apostas possivelmente fizeram a festa com o resultado que chocou o mundo do futebol: de acordo com relatos da época, dos 40 jornalistas presentes na final, 39 tinham previsto vitória húngara. Para se ter noção da dimensão do feito dos alemães, aquele foi o único desaire da Hungria em 50 partidas e encerrou uma das gerações mais brilhantes da história do desporto sem a conquista do Mundial.

Apesar de sair com a derrota, a edição de 1954 ficou marcada sobretudo pela beleza ofensiva da Hungria e pela figura de Puskás, que dois anos depois deixaria o país após a chegada dos soviéticos à Budapeste para se tornar lenda do Real Madrid. O Mundial da Suíça também apresentou ao planeta a Alemanha do pós-guerra, que recuperava autoestima através do futebol. Desde então, os alemães ainda faturaram outros três títulos mundiais. 

Passados mais de 70 anos, o “Milagre de Berna” continua a ser considerado uma das maiores surpresas da história dos Mundiais e embora a Hungria fosse das grandes seleções do mundo à altura, hoje em dia está longe de ter tal protagonismo, estando inclusive fora do torneio deste ano. Já a Alemanha vai em busca do pentacampeonato no Grupo E, onde disputa a classificação com Curaçao, Costa do Marfim e Equador. Faltam 15 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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