Leandro Bacuna tem o irmão Juninho na comitiva.
Leandro Bacuna tem o irmão Juninho na comitiva.FIFA

A onda azul de Curaçao tem população para três estádios mas fãs em todo o mundo

Primeiro apuramento da ilha caribenha é uma das histórias do Mundial. Gorré, ex-Boavista, é conhecido dos portugueses. Advocaat será o mais velho a liderar uma seleção no grande certame.
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Curaçao, uma pequena ilha das Caraíbas, escreveu uma das histórias mais surpreendentes do futebol internacional ao garantir, pela primeira vez, a presença num Campeonato do Mundo. Assegurou o apuramento para o Mundial de 2026 após uma campanha histórica na fase de qualificação da CONCACAF, tornando-se na mais pequena nação, em população (pouco mais de 160 mil pessoas) e território, a alcançar a competição.

Sob o comando do experiente treinador neerlandês Dick Advocaat, houve sempre consistência. Na segunda fase, foram quatro vitórias em quatro jogos. E a 25 de novembro o país parou quando um empate sem golos diante da Jamaica confirmou matematicamente a qualificação. A festa tomou conta da ilha, de praias paradisíacas, pacíficas e que acolheram, por isso mesmo, o Haiti, condicionado para jogar em casa devido à criminalidade e rivalidade entre gangues. A seleção de Curaçao é conhecida como "Onda Azul" e no Grupo E vai estrear-se com a fortíssima Alemanha.

Grande parte do sucesso de Curaçao explica-se também pela forte ligação ao futebol neerlandês. Muitos jogadores nasceram nos Países Baixos ou desenvolveram-se nas academias do país europeu, fruto da anterior ocupação colonial. A autonomia local do país europeu estabelece boas relações entre os estados. Foi determinante, nesse sentido, Dick Advocaat para convencer alguns atletas a militarem em Curaçao e não esperarem uma chamada neerlandesa.

O percurso de sonho foi abalado quando Advocaat se afastou do cargo de selecionador por motivos pessoais. Com Fred Rutten a equipa perdeu duas vezes no FIFA Series foi goleada pela Austrália. Advocaat acabaria por regressar ao comando técnico semanas antes do torneio porque Rutten percebeu que a popularidade do técnico experiente seria difícil de igualar. Advocaat vai para o terceiro Mundial e aos 78 anos torna-se o mais velho a liderar uma equipa.

O capitão Leandro Bacuna, que chegou a jogar no Cardiff, Watford e Groningen, é a principal figura, com 16 golos e 70 jogos pela seleção. Dos 26 convocados, 11 jogam nos Países Baixos, justificando a proximidade entre ascendentes. Eloy Room, guarda-redes do Miami FC, e os defesas Obispo, do PSV, e Bazoer, do Konyaspor, são importantes.

Portugal conhece bem Gorré, atleta que esteve cinco anos e meio no nosso país, com alto impacto no Boavista. Está no Maccabi Haifa e fez quatro golos e oito assistências no ano. Com Kastaneer e Gorré, Curaçao fez oito golos na qualificação. Locadia pode ser avançado mais fixo, Sontje Hansen, do Middlesbrough, e Chong, este formado no Manchester United e hoje no Sheffield United, não ultrapassaram os dois golos na época, mas são dos mais proeminentes nos corredores.

Curaçao não tem um único jogador a alinhar nos primeiros cinco campeonatos europeus. Pedir mais do que uma participação honrosa é ambicioso. Ainda assim, recolheu o afeto do mundo ainda antes de arrancar com a participação nos Estados Unidos da América. A população da ilha não chegará para três estádios, mas tem bem mais mundo a torcer por uma campanha surpreendente.

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