Rui Oliveira ganhou a última etapa da Volta, nos Aliados (Porto)
Rui Oliveira ganhou a última etapa da Volta, nos Aliados (Porto)Foto: Facebook/Volta a Portugal

Volta a Portugal em bicicleta não consegue subida de escalão

Federação Portuguesa de Ciclismo expressou a intenção de mudança de divisão, mas, como era esperado, não foi aceite a proposta. Ao DN, FPC salienta vontade de recandidatura para 2029.
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A Volta a Portugal de 2027 está agendada para o mês de agosto, mais concretamente de 4 a 15 de agosto, mantendo o figurino habitual. Esse registo consta da página oficial da União Ciclística Internacional e a Federação Portuguesa de Ciclismo confirmou ao DN que "as datas indicadas pela UCI estão corretas."

Assim, a Federação reconhece que a "indicação transmitida pela UCI prende-se com o atual ciclo de registo de registo das provas UCI ProSeries, correspondente ao período 2026–2028", relatando que este "se encontra já definido e encerrado." Como tal, a Volta a Portugal não subirá de escalão, como era intenção, mantendo-se na terceira divisão do ciclismo e sem a probabilidade de receber equipas World Tour, da principal divisão, apesar de a UAE Emirates ter estado em Portugal em 2026 com atletas seniores, da principal equipa, embora trazendo um conjunto reforçado com atletas da equipa de desenvolvimento. A expectativa é que pudesse regressar em 2027.

Tal como o DN noticiou há exatamente três meses, a subida de escalão da Volta a Portugal parecia impraticável porque precisaria de um regime de exceção de aceitação e, a acontecer, implicaria uma mudança substancial no figurino, tendo de abandonar o formato de dez a 11 dias de competição.

Apelando a uma exceção aos regulamentos, é importante referir que em 2026, olhando a todo o calendário internacional, só a Volta à Turquia, antes de World Tour, é hoje uma prova com mais dias (8) do que o permitido (6) na Europa. As provas de uma semana na Ásia, por exemplo, Langkawi e Qinghai cumprem o limite de oito dias.

"Uma eventual alteração de categoria da Volta a Portugal apenas poderá ser considerada no âmbito do próximo ciclo, relativo ao período 2029–2031", detalha a FPC em resposta ao DN, salientando, porém, a vontade de trabalhar para uma subida de divisão.

Mesmo que essa candidatura se pressuponha após as eleições para a presidência, já que a possível recandidatura de Cândido Barbosa está marcada para 2028. "Importa sublinhar que a intenção da Federação Portuguesa de Ciclismo se mantém exatamente a mesma e corresponde ao objetivo assumido desde o primeiro momento pelo presidente Cândido Barbosa: criar as condições necessárias para que a Volta a Portugal possa, num futuro próximo, subir de categoria no calendário internacional", promete a entidade, vincando os "objetivos estratégicos da Federação" e mencionando que "uma categoria superior permite a atribuição de mais pontos para o ranking UCI, aumentando a atratividade da Volta a Portugal."

Não será crível que a recusa da UCI a este regime de exceção para a subida de divisão tenha como única justificação algumas preocupações de segurança, depois da trágica morte de Finlay Tarling, da NSW, que embateu numa viatura externa à organização. Isto apesar de ter havido uma entrada no percurso por uma via que não teria fitas de sinalização nem elementos da GNR na 8.ª etapa da Volta a Portugal. Não tem sido comum a UCI deliberar, com mudanças de calendário, fora das épocas habitualmente previstas. Naturalmente que a tragédia não terá ajudado às pretensões, porém havia outros critérios que indiciavam a recusa.

O projeto de internacionalização pressupõe a necessidade de uma redução de dias de competição e também alguma aceitação do pelotão nacional que, necessitado da atenção mediática durante a Volta a Portugal, expressa dúvidas de que isso possa ser benéfico para patrocinadores e conjetura do ciclismo nacional.

"A Federação continuará, por isso, a trabalhar na valorização desportiva, organizativa e internacional da Volta a Portugal e, quando o calendário e os procedimentos da UCI o permitirem, avançará com esse objetivo junto da União Ciclista Internacional", terminou a nota a entidade.

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