“Senti a pressão, mas estou contente”: Diogo Carmona estreou Portugal nos Paralímpicos de Inverno
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“Senti a pressão, mas estou contente”: Diogo Carmona estreou Portugal nos Paralímpicos de Inverno

Snowboarder português terminou em 18.º no banked slalom em Milão-Cortina 2026 e abre caminho para o futuro das modalidades de inverno.
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A participação de Diogo Carmona na prova de banked slalom SB-LL2 dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 ficou marcada por uma alteração inesperada no calendário competitivo e por um momento histórico para o desporto português. A competição, inicialmente prevista para o dia seguinte, acabou por ser antecipada devido às previsões meteorológicas, o que reduziu significativamente o tempo de preparação dos atletas.

O snowboarder português explicou que a decisão foi tomada por razões de segurança e de qualidade da prova. “As condições meteorológicas para amanhã não eram as mais adequadas, por isso a prova teve de ser antecipada e isso deu-nos menos de um dia de treino”, afirmou. 

Segundo Carmona, a previsão de chuva poderia comprometer a pista e tornar a competição menos segura. “Se chovesse, o gelo da pista iria derreter e isso não seria bom nem para quem compete nem para quem está a assistir”, acrescentou, sublinhando que a decisão acabou por ser justa para todos os participantes. 

Na análise às duas descidas realizadas na pista do Cortina Para Snowboard Park, o atleta admitiu que a pressão da estreia paralímpica teve impacto no desempenho. Antes da transmissão televisiva, durante o aquecimento, conseguiu mesmo um registo melhor do que aqueles que acabaram por contar para a classificação. “Quando as câmaras começaram senti um pouco a pressão. Na primeira descida tentei controlar-me, mas acabei por cair”, explicou. 

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A segunda tentativa foi feita sob maior pressão, já que precisava de melhorar o resultado. Carmona conseguiu completar a descida sem quedas, mas reconheceu que alguns erros técnicos acabaram por custar tempo. “Não caí, mas houve alguns erros técnicos que me fizeram perder segundos”, disse, lembrando que nos treinos oficiais tinha conseguido tempos que o colocariam mais acima na classificação. 

Apesar disso, o atleta destacou o significado da participação para o desporto nacional. “Estou contente no geral. Esta participação fica para a história, porque é a primeira vez que um português participa nos Jogos Paralímpicos de Inverno”, afirmou. 

Carmona não escondeu, contudo, algum desapontamento competitivo. “Não vou mentir, há alguma frustração, porque sei que nas melhores condições poderia chegar ao 12.º lugar”, admitiu, sublinhando que a experiência servirá como aprendizagem para o futuro e para continuar a trabalhar rumo aos próximos Jogos. 

Na prova, o snowboarder português terminou na 18.ª posição, entre os 20 atletas em competição, depois de registar 1.16,58 minutos na primeira descida e 1.07,52 na segunda, sendo este último tempo o que contou para a classificação final. A medalha de ouro foi conquistada pelo italiano Emanuel Perathoner, com 54,28 segundos na segunda tentativa, seguido do suíço Fabrice von Gruenigen (56,29) e do australiano Ben Tudhope (57,33).

Também Pedro Flávio, presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, considerou acertada a decisão de antecipar a prova. “Foi uma boa escolha, porque amanhã poderia haver pouca visibilidade e condições perigosas para competir”, explicou o dirigente. 

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O responsável destacou ainda o significado histórico da presença portuguesa nos Jogos Paralímpicos de Inverno. “É muito importante para nós estarmos aqui e ver o Diogo competir. É a primeira vez que um atleta de desportos de inverno representa Portugal nos Jogos Paralímpicos e isso vai ficar na história”, sublinhou. 

Pedro Flávio lembrou que o percurso de Carmona até aos Jogos começou noutra modalidade, o skate adaptado, antes da transição para o snowboard, uma mudança que permitiu ao atleta desenvolver rapidamente o seu potencial competitivo. O dirigente destacou ainda o papel do treinador Bruno Marques no processo de qualificação, considerando que o trabalho conjunto da equipa técnica foi determinante para alcançar este marco histórico. 

Para o presidente da federação, mais do que o resultado final, a presença de Carmona em Milão-Cortina representa o início de um novo caminho para o desporto adaptado de inverno em Portugal. “Este é o começo de um percurso que pode abrir portas a outros atletas e incentivar novas gerações a experimentar estas modalidades”, afirmou. 

Aos 28 anos, Diogo Carmona — que perdeu parte da perna esquerda em 2019 após ter sido atropelado por um comboio — tornou-se assim o primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, numa edição que decorre desde 6 de março e reúne mais de 650 atletas de cerca de 50 países. A sua presença em Milão-Cortina 2026 fica já marcada como um momento histórico para o desporto paralímpico nacional.

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