Portugal entra pela primeira vez na história dos Jogos Paralímpicos de Inverno com a participação do snowboarder Diogo Carmona, que compete na disciplina de snowboard, na prova de banked slalom, em Cortina d’Ampezzo, integrada nos Jogos de Milão-Cortina 2026. A presença do atleta português representa um momento inédito para o desporto nacional e é vivida pelo próprio como um ponto alto da sua trajetória pessoal e desportiva.Às portas da estreia olímpica, Carmona mantém o foco na preparação e evita expectativas excessivas. “Estou focado em treinar e a preparar-me para dar o meu melhor”, afirmou, sublinhando que a prioridade tem sido manter a concentração e cumprir o plano de trabalho delineado pela equipa técnica.A chegada ao palco paralímpico trouxe também uma perceção clara da dimensão do evento. Ao instalar-se em Itália, o snowboarder português sentiu imediatamente a diferença em relação a outras competições do circuito internacional. “Senti diferente o ambiente, o facto de estares ao pé de outros atletas de topo mundial”, descreveu. Apesar de já conhecer muitos dos adversários de provas anteriores e de estar habituado ao ambiente competitivo, admite que os Jogos Paralímpicos têm um significado especial. “Obviamente que a experiência paralímpica é uma experiência única e, portanto, essa parte ainda estou a descobrir”, acrescentou.A prova em que participa reúne alguns dos nomes mais fortes do snowboard paralímpico, incluindo atletas com grande experiência internacional. Carmona reconhece o nível elevado da competição e identifica claramente os principais adversários. Um deles é o italiano Emanuel Perathoner, campeão paralímpico e antigo atleta olímpico. “O foco acaba por estar principalmente nele”, contou o atleta português, referindo-se ao rival que considera ser o principal favorito à vitória..Mesmo perante um quadro competitivo exigente, Carmona não esconde a ambição de alcançar o melhor resultado possível. “Eu gostava de ter o melhor resultado possível”, disse, reconhecendo, no entanto, a diferença de experiência entre si e os atletas que competem regularmente nas principais provas internacionais. “As probabilidades são poucas, as probabilidades não estão do meu lado, estatisticamente é muito difícil, estes atletas fazem isto desde muito novos, focaram a vida toda e têm umas condições diferentes das minhas”, explicou.Apesar dessa realidade, o snowboarder português destaca o respeito que tem sentido por parte dos adversários, alguns dos quais já lhe deram palavras de incentivo. “Hoje estava a falar com um medalhado que me disse que ficava muito honrado se eu lhe ganhasse, se eu ficasse à frente dele.” Carmona encara essas reações como um sinal positivo e mantém a esperança de surpreender. “Mas eu diria que é bom, os meus adversários mostram algum respeito e espero surpreender.”Nos dias que antecederam a prova, a preparação seguiu um plano rigoroso definido em conjunto com o treinador. O atleta explica que cada detalhe é cuidadosamente pensado e que existe uma estratégia clara para enfrentar a competição. “Acaba por ser tudo muito planeado, cada passo que damos. Há coisas que ele também não me diz e, portanto, existe todo um processo de preparação que é o que estamos a fazer”, revelou.Esse processo envolve diferentes dimensões da preparação desportiva. “Passa por condição física, aqui descanso, preparação psicológica e o mais importante treinar na neve”, afirmou Carmona, destacando a importância de equilibrar trabalho físico, recuperação e adaptação às condições da pista.A qualidade da neve e as condições meteorológicas são fatores decisivos numa prova de snowboard. Segundo o atleta português, as condições encontradas até agora têm sido positivas, mas o cenário pode mudar no dia da competição. “As condições aqui são excelentes, estivemos a ver hoje as previsões de tempo para o dia da prova, não estão muito favoráveis, dá chuva para a montanha em que vai ser a competição, o que pode causar que a pista fique mais gelada, mais perigosa”, explicou.Independentemente do resultado, o atleta português reconhece que a presença nos Jogos Paralímpicos de Inverno representa um momento único na sua vida. “Claro, sem dúvida nenhuma será um momento, provavelmente o maior marco da minha vida e, portanto, estou entusiasmado para viver esse momento”, afirmou.O apoio que tem recebido de familiares, amigos e até de pessoas que não conhece tem sido outro fator de motivação nesta fase decisiva. “Tenho recebido diariamente mensagens de pessoas próximas, de pessoas afastadas e isso é muito bom e motiva-me”, disse.Para Portugal, a participação de Diogo Carmona representa um passo histórico no desenvolvimento dos desportos de inverno adaptados. A presença do snowboarder nos Jogos Paralímpicos não é apenas um feito individual, mas também um sinal de crescimento e de visibilidade para uma área do desporto nacional que até agora tinha pouca representação internacional.Quando entrar na pista em Cortina d’Ampezzo, Carmona levará consigo não apenas a ambição de alcançar um bom resultado, mas também o simbolismo de abrir caminho para futuras gerações de atletas portugueses nos Jogos Paralímpicos de Inverno. E, para o próprio, a experiência já se tornou inesquecível antes mesmo da prova começar — um momento que define uma carreira e que, nas suas próprias palavras, será “o maior marco da minha vida”..Diogo Carmona: “Às vezes precisamos de ver um exemplo para saber que somos capazes”