GNR diz que não havia militares a impedir entrada do condutor que atropelou mortalmente ciclista na Volta
Não havia militares na zona em que o condutor que entrou no percurso da Volta a Portugal e atropelou mortalmente o ciclista britânico Finlay Tarling, admitiu um porta-voz da GNR.
O tenente-coronel Carlos Canatário disse à RTP que ainda não pode garantir se havia outro tipo de sinalização que impedisse a entrada de condutores naquela zona do percurso da competição. “Sabemos que não estava nenhum militar porque não era um dos locais que tinha sido priorizado na avaliação que tinha sido feita. O que estamos a procurar saber é que tipo de sinalização estava naquele local e se alguma sinalização foi removida ou não”, explicou.
"Aquilo que fazemos é procurar selecionar e priorizar quais são os acessos em que é mais provável encontrarmos pessoas e viaturas . Não era o caso deste acesso. Era um acesso secundário", acrescentou.
O porta-voz da GNR revelou que o condutor disse aos militares, durante o interrogatório, que “esteve parado nesse acesso, viu passar o pelotão, e como esperou ali algum tempo e não vinha mais ninguém, perguntou se podia avançar" aos populares que estavam, um relato que Canatário salienta que carece de confirmação.
O porta-voz da GNR sublinha que "não houve desvios na operacionalização do planeamento" e que montar uma operação de segurança numa competição como a Volta a Portugal é “muito complexo”, porque "tem inúmeras etapas, com muitos quilómetros, e é necessário perceber que são centenas os acessos que existem em cada uma das etapas".
“Infelizmente não temos a capacidade para colocar um militar da guarda em todos esses quilómetros. Ou seja, isso é humanamente impossível”, lamentou, frisando que, no caso de acessos secundários, como foi considerado aquele pelo qual o condutor entrou no percurso da etapa, é "colocada sinalética em algumas baias, em outras, fita de sinalização".
O tenente-coronel narrou ainda a sucessão de acontecimentos: "No momento do acidente o pelotão estava partido em três, havia fugitivos, havia o pelotão e havia três ciclistas que tinham ficado para trás. O dispositivo móvel estava a adaptar-se, porque é necessário também perceber que, ao longo de toda a prova, o dispositivo móvel tem de estar sistematicamente a adaptar-se, porque a configuração do pelotão vai mudando. Portanto, as motas têm que abrandar, têm que encostar, têm de perceber se há ciclistas a descolarem."
Antes do acidente mortal, Finlay Tarling soltou-se da viatura de apoio "e a mota da GNR não conseguiu acompanhá-lo", por estar "a fazer o desdobramento".
Canatário ressalva que a "viatura não vinha em contramão", mas que "estava, isso sim, no sentido contrário ao sentido da prova". Já o malogrado ciclista "cortou, como é natural, como os ciclistas fazem, curva pela via mais à esquerda", "e foi isso que fez com que o ciclista e a viatura colidissem".
O porta-voz da GNR diz que não pode comprometer-se com o cenário de o condutor pode vir a ser responsabilizado de alguma forma pela morte do ciclista de 19 anos, lembrando que irá decorrer um inquérito e será "recolhida mais prova, que demora algum tempo". E revelou que o condutor "estava em estado de choque, como é natural", o que dificultou a recolha de prova.
O tenente-coronel garantiu ainda que "foram feitos todos os testes" e "que o condutor não apresentava indícios de álcool ou de substâncias psicotrópicas no sangue".
O ciclista britânico Finlay Tarling morreu na sexta-feira durante a oitava etapa da Volta a Portugal em bicicleta, “na sequência de um grave acidente”. Nascido no País de Gales, tinha 19 anos e representava a equipa suíça NSN Development Team.
A oitava etapa da 87.ª edição da Volta a Portugal ligava Melgaço a Fafe, numa tirada de 166,8 quilómetros.

