Ciclista de 19 anos morre na Volta a Portugal e a etapa 8 foi suspensa
Um ciclista da Volta a Portugal morreu esta sexta-feira (14 de agosto) após ter embatido num automóvel. A etapa 8 da Volta a Portugal foi neutralizada a partir dos 25 km e não haverá vencedor nem discussão da tirada em Fafe.
O luto instalou-se na corrida depois de ter sido conhecido um atropelamento na caravana que fez uma vítima mortal. O corredor já foi identificado pela Federação. Finlay Tarling tinha 19 anos, é irmão de Joshua Tarling, grande atleta britânico, da Ineos, que já foi campeão europeu de contrarrelógio. Finlay seguia um grande trajeto na pista pela Federação Britânica de Ciclismo.
O acidente ocorreu na Estrada Nacional 306, via que liga Paredes de Coura a Ponte de Lima, na freguesia de Arcozelo, já perto do rio Lima.
"Perante este trágico acontecimento, a corrida será neutralizada até à chegada a Fafe e, em sinal de respeito e luto, não se realizará a cerimónia de pódio prevista para hoje. A organização prestará todas as informações adicionais assim que existam condições para o fazer", adiantou a Federação Portuguesa de Ciclismo.
Existiam duas versões e, por isso, aguardavam-se esses mesmos esclarecimentos. De acordo com o Alto Minho TV, o ciclista ter-se-á despistado e embatido num automóvel que se encontrava parado. Já a RTP mencionava um atropelamento por um carro que seguia no sentido contrário, afirmando que o automóvel entrou dentro da corrida, embatendo no ciclista que estava atrasado numa curva apertada e com pouca visibilidade.
O major Tiago Machado, da GNR, aos jornalistas garantiu que estava colocado um "forte dispositivo policial durante toda a etapa", mas quanto ao acidente disse que "as circunstâncias estão a ser averiguadas". Vincou ser "prematuro saber" os detalhes, mas admitiu que aconteceu "na parte de trás do pelotão" e que houve uma colisão do ciclista com um veículo ligeiro." Mais não adiantou.
Minutos depois, o Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, referiu que "um ligeiro de mercadorias estava na via, a circular no sentido contrário ao da prova e o ciclista embateu, e aconteceu a situação trágica." Nesse sentido, ganha força a hipótese de ter sido a entrada de um automóvel na caravana a propiciar o acidente.
O atleta foi ainda acudido. De acordo com o Correio da Manhã, os bombeiros de Ponte de Lima tiveram cinco viaturas no local, além da equipa médica da VMER do Alto Minho e a SIV de Ponte de Lima. O corpo foi transportado para o Instituto de Medicina Legal de Viana do Castelo.
A Federação Portuguesa de Ciclismo prometeu dar explicações após a etapa. Cândido Barbosa transmitiu "condolências", lembrou que "depois de meio milhão de quilómetros é o momento mais duro" da sua carreira. Referiu como "prioridade máxima a segurança dos atletas". "Lamentavelmente aconteceu e não tenho a acrescentar. A corrida terá de continuar. Peço força a todos para terminarem os últimos dois dias da Volta", disse, não permitindo perguntas aos jornalistas. "Como diretor de prova, é um dia dramático. É um desporto de risco, é muito difícil controlar estas situações e reforçámos a segurança ao máximo", vincou Ezequiel Mosquera.
José Soares, vice-presidente da Federação, prestou palavras de agradecimento ao público: "Não é inédito, mas é um momento muito triste da Volta a Portugal. Quero agradecer a atitude dos milhares de adeptos à beira de estrada, que aplaudiram os corredores e que demonstraram um sentimento de gratidão pelo ciclismo."
O pelotão vive, neste momento, um ambiente de profunda consternação. António José Seguro, Presidente da República, manifestou "profundo pesar pelo trágico falecimento do jovem ciclista britânico", afirmando que "a morte enluta o pelotão, a prova e o país que o acolhia."
"O Presidente António José Seguro expressa, igualmente, a sua solidariedade à Direção da Volta a Portugal e à Federação Portuguesa de Ciclismo, que enfrentam um dos momentos mais dolorosos da história da prova, saudando a dignidade das decisões tomadas em memória e em respeito pelo atleta", pode ler-se na nota. Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressou as condolências.
A equipa NSN, pelo diretor-desportivo Ruben Plaza, terá dado aval para se perfazer a etapa até final, ainda que sem a vertente competitiva, de modo a homenagear o jovem corredor. Não está previsto qualquer protocolo internacional para este tipo de situação. A NSN já saiu de Fafe e não vai continuar em prova. A família de Tarling rumará a Portugal nas próximas horas.
No ciclismo mundial, a morte mais recente em circunstâncias com alguma similitude aconteceu em 2023, com a queda numa ravina de Gino Mader, ex-atleta da Bahrain Victorious. Em solo português, a morte de Joaquim Agostinho será dos momentos mais chocantes na modalidade. Faleceu em 1984, na sequência de dez dias em coma após ter sofrido uma queda na Volta ao Algarve. José Zeferino, numa Volta ao Alentejo, com 19 anos, também faleceu em estradas portuguesas.
(em atualização)

