UAE Emirates fica sem três atletas na Volta a Portugal e queixa-se do regulamento
A luta de Adrià Pericas pela vitória da Volta a Portugal está fortemente condicionada. O corredor, terceiro classificado na geral, perdeu três colegas da UAE Emirates que não cumpriram o tempo de corte definido.
Luca Giaimi, Marcos Freire e Julius Johansen pouparam-se na etapa do Gerês, a sétima em linha, convictos de que iriam perfazer o controlo, seguindo as indicações do livro de prova, o documento oficial disponibilizado aos corredores.
No entanto, a Volta a Portugal fez uma adenda ao tempo de corte, minimizando esse espaço, logo ao primeiro dia de prova. O comunicado oficial não foi, portanto, interpretado pela UAE Emirates, o que gerou frustração e repercussão internacional.
Johansen venceu duas etapas e Pericas ganhou esta quinta-feira no Gerês e estão na equipa mais vitoriosa e número 1 do ranking mundial. Julius Johansen assumiu, em comunicado, ter decidido "correr em segurança" após cair numa das descidas, relembrando o limite de controlo dos corredores equivaler a uma diferença para o vencedor até 20% do tempo da tirada. Contava ter 45 minutos, mas o controlo fechou aos 34m17s.
"Pensávamos que tudo estava bem, até nos ser dito na meta que o limite de tempo fora mudado para 15%. Nenhum dos corredores, nem dos diretores desportivos, foi alertado sobre esta mudança, nem mesmo durante a reunião dos diretores desportivos que antecedeu a etapa", escreveu o dinamarquês de 26 anos, na página oficial na rede social Instagram.
A UAE Emirates assumiu, posteriormente, o erro. "Em primeiro lugar, foi um erro nosso. No 'roadbook' indicava 20%, mas a organização alterou a regra, enviando essa informação no comunicado do primeiro dia da corrida. Todos os dias recebemos informação importante sobre o desenrolar da corrida", disse o diretor desportivo da UAE Emirates na Volta, o italiano Giacomo Notari. Apesar de ter dito também que poderia ter sido relembrado via rádio-Volta da alteração, admite que estava no plano escrito para o dia essa mesma mudança, já pensada e divulgada no início da corrida.
"Reconheço que pode haver uma falha de interpretação, mas foi comunicado logo no primeiro dia. O colégio de comissários decidiu que nada havia a fazer. Teriam de ser repostos outros corredores", explanou o diretor da organização contratado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, Ezequiel Mosquera. "São notícias incómodas, não é bom, claro", reconheceu quanto à mediatização internacional da situação, embora tranquilize antes do arranque da etapa 8, até ao Salto de Fafe: " Já falámos com eles, falámos com o diretor desportivo Matxin, que está contente com o resultado da equipa, mas triste, claro, pelo que aconteceu."

