A administração da Notícias Direct, empresa do Global Media Group (proprietário do DN), vai recorrer a todos os instrumentos judiciais ao seu dispor, se necessário, para defender os seus direitos no diferendo com a Notícias Ilimitadas (NI), controlada pela Parsoc, do empresário José Rogeira de Jesus.Este sábado, o Jornal de Notícias e outros títulos da Notícias Ilimitadas publicaram uma nota a dar conta de que a distribuição das publicações aos seus assinantes será retomada a partir de segunda-feira. A NI pretende vender assinaturas do JN, O Jogo e outros títulos, a leitores que já adquiriram subscrições dessas publicações à Notícias Direct. Ao que o DN apurou, vários distribuidores da ND já terão sido contactados para passarem a trabalhar para a Notícias Ilimitadas.Ao DN, fonte da Global Media disse que a Notícias Direct estará obrigada a recorrer a todos os meios legais ao seu dispor para impedir uma eventual utilização da sua base de clientes, se outra entidade pretender usar esses dados indevidamente, para desviar clientes e obter vantagens económicas.“A Notícias Direct lamenta o impacto que esta situação está a ter nos seus clientes que assinam o JN, O Jogo e outras publicações da NI e, mais uma vez, demonstra total abertura para, num espírito de diálogo e respeito mútuo, encontrar uma solução que permita manter a entrega desses títulos”, frisou a mesma fonte.A Notícias Direct é a empresa responsável pela distribuição e gestão de assinaturas das marcas do Global Media Group, que também detém o Diário de Notícias. Até agosto de 2024, o Global Media Group era também proprietário do Jornal de Notícias, do desportivo O Jogo e de outros títulos que, nessa data, foram adquiridos pela recém-criada Notícias Ilimitadas. Na altura, a Global Media ficou com uma participação de 30% na empresa.A Notícias Ilimitadas é detida pela sociedade Verbos Imaculados, que tem como principal acionista a Parsoc (51%), do empresário José Manuel Rogeira de Jesus. O restante capital social está nas mãos do administrador Domingos Andrade (10%), da FEPI (10%), de Mário Andrade Ferreira (10%) e da Mesosystem S.A. (19%). No mês passado, a Verbos Imaculados comprou a participação de 30% que a Global Media ainda detinha na NI, consumando-se assim a separação entre os dois grupos de comunicação social. NI comprou o JN e "O Jogo", mas não quis a Notícias Direct e os seus 37 colaboradoresA Notícias Direct nega que existam valores em dívida aos seus 30 distribuidores, ao contrário do que foi noticiado. Para além destes prestadores de serviços, a ND conta com sete funcionários do quadro, que fazem a gestão das assinaturas.Durante mais de uma década, a Notícias Direct geriu as assinaturas do Jornal de Notícias e de todas as publicações da Global Media. A ND comprava os títulos com um desconto sobre o preço de capa, para depois os revender aos assinantes também com desconto. A diferença entre os dois valores servia para pagar os custos operacionais. Quando o JN, O Jogo, a Volta ao Mundo e outros títulos foram comprados pela NI, em meados de 2024, a Notícias Direct continuou a fazer a distribuição dessas publicações, porque o grupo de empresários que as comprou não se mostrou disponível para adquirir a distribuidora, nem para assumir as responsabilidades com os seus funcionários e prestadores de serviços, disse ao DN fonte do grupo Global Media.A situação manteve-se estável até setembro de 2025, quando a NI decidiu aumentar em 66% o preço de venda das publicações à ND, sem o acordo desta última. Segundo a administração da ND, esta "alteração contratual unilateral" provocou fortes prejuízos e colocou em risco a sobrevivência da empresa, obrigando-a a suspender a distribuição das publicações da NI. .Notícias Direct suspende distribuição após decisão unilateral da dona do JN que "lesa os próprios assinantes".Esclarecimento da Notícias Direct sobre a distribuição do JN e dos outros títulos da Notícias Ilimitadas