Aprovadas alternativas a fecho temporário do Metro de Lisboa sem shuttle até Santa Apolónia
O plano de mobilidade para a interrupção temporária do Metropolitano de Lisboa entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia foi esta quarta-feira, 7 de outubro aprovado pelo executivo camarário, prevendo uma “rede de alternativas complementares”, mas não um shuttle específico para aquele troço.
A proposta da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para as soluções de mobilidade a aplicar durante o encerramento temporário daquele troço do Metropolitano (Metro) – ainda sem data conhecida - devido às obras do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) foi discutida esta quarta-feira em reunião privada do executivo camarário, nos Paços do Concelho, e aprovada com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP/IL e do PS, a abstenção do PCP e do BE e os votos contra do Chega e do Livre, disse à Lusa fonte partidária.
O plano, a que a Lusa teve acesso, prevê “uma rede de alternativas complementares e não apenas a replicação do troço de Metro através de um único shuttle, por se considerar mais restritivo para o utente”, com a Carris a assegurar capacidade adicional de superfície e ligações diretas a Cais do Sodré e Restauradores.
Já o Metro vai manter a Linha Azul operacional até à estação Terreiro do Paço “e absorve a procura redistribuída por diferentes interfaces”, enquanto a CP mantém Santa Apolónia em funcionamento, “promovendo Oriente, Braço de Prata e a Linha de Cintura como portas alternativas de acesso à rede de Metro”.
“O desempenho do plano depende de três condições críticas: garantia de circulação rodoviária para os reforços Carris, informação multimodal simples e coerente e monitorização intensiva nas primeiras duas semanas para adaptação da oferta à procura real”, lê-se no documento.
A vereação do PS disse à Lusa ficar com “fundadas dúvidas sobre o prazo de conclusão do túnel de drenagem Campolide - Santa Apolónia e a sua entrada em operação, de forma a proteger a cidade de cheias significativas, nas zonas mais vulneráveis, nomeadamente Alcântara e Baixa de Lisboa”.
Pelo Chega, o vereador Bruno Mascarenhas justificou o voto contra com a ausência de prazo vinculativo do consórcio para a execução das obras que levam ao encerramento temporário daquele troço, bem como a ausência de repartição das responsabilidades e do mecanismo de repercussão dos custos dos atrasos que sejam imputáveis ao consórcio, salientando que inicialmente estavam previstos 10 meses de encerramento e “hoje aparecem 415 dias de encerramento do Metro em Santa Apolónia”.
Já o BE considerou o plano “muito insuficiente”, apontando que “as estações de metro mais próximas estão a mais de 20 minutos a pé e não há salvaguarda das faixas ‘bus’ nem ‘shuttle’”. “O trânsito vai aumentar e a situação naquela colina vai piorar muito”, alertou o vereador bloquista, Ricardo Moreira (em substituição de Carolina Serrão).
Também João Ferreira, vereador do PCP, assinalou que os valores de compensação a pagar ao Metro, calculados pela própria transportadora, não são acompanhados de uma avaliação e verificação por parte dos serviços da CML e defendeu ainda que se impunha “a criação de faixas BUS dedicadas em exclusivo ao transporte público”, que, “em complemento com carreiras especiais da Carris, garantissem a utilização do transporte público em detrimento do transporte particular”, tendo em conta que se trata de um percurso muito congestionado de trânsito.
O Livre questionou a CML sobre a ausência do plano de um 'shuttle' dedicado de alta frequência entre Santa Apolónia e Terreiro do Paço, que respostas existem para pessoas com mobilidade condicionada e passageiros do Terminal de Cruzeiros, e que indicadores vão medir o sucesso do plano, perguntando ainda, sobre as compensações financeiras, "se a Câmara está a passar um cheque em branco ao Metropolitano" e defendendo "no imediato, uma maior transparência sobre o custo total da operação para o município".
O Livre apresentou também uma proposta de alteração ao plano, para "corrigir as fragilidades e insuficiências" como "dependência do trânsito rodoviário, frequências insuficientes, pouca atenção à acessibilidade e risco de congestionamento no eixo ribeirinho", mas foi rejeitada com os votos contra dos partidos da direita.
Na reunião desta quarta-feira foram ainda levantadas diversas questões no período inicial reservado para o efeito, antes da Ordem do Dia, tendo o vereador do PS Sérgio Cintra alertado para o “agravamento da toxicodependência e para o aumento do microtráfico em Lisboa" que disse estar a expandir-se a zonas da cidade onde não era identificado, como o recente parque urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, e tendo submetido 10 questões ao presidente da CML, Carlos Moedas (PSD), como “que equipas de rua, de redução de riscos e de apoio social operam hoje em Arroios, na Penha de França ou na Praça de Espanha?” e se “o Conselho Municipal de Segurança já debateu este tema?” e que conclusões tirou.
O PS questionou ainda sobre duas empreitadas que iam permitir disponibilizar cerca de 20 casas para arrendamento a preços acessíveis no centro da cidade, que ficaram por adjudicar, alertando para os riscos de “estarem a ser lançadas com orçamentos desajustados face aos preços de mercado, o que compromete, à partida, o sucesso dos concursos”.
Assinalando a ausência de Carlos Moedas na reunião, o socialista Pedro Anastácio considerou que a mesma “só pode ser encarada como cobardia política”, depois das declarações à Antena 1, na terça-feira, a acusar o PS de ter criado e disseminado o vídeo que circula as redes sociais sobre os contactos com os familiares das vítimas do elevador da Glória.
