O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou esta segunda-feira, 6 de julho, para que a NATO tome “decisões firmes” na cimeira de Ancara, depois do segundo ataque russo em quatro dias contra Kiev ter tirado a vida a, pelo menos, 21 pessoas e deixado mais de uma centena de feridos. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, Moscovo lançou na madrugada de ontem um ataque que envolveu 23 mísseis balísticos, 39 mísseis de cruzeiro, seis mísseis hipersónicos Zircon e 351 drones, tendo Kiev como alvo principal. De acordo com a mesma fonte, as defesas aéreas ucranianas abateram 37 mísseis e 326 drones, enquanto 29 mísseis balísticos e 18 drones atingiram 34 locais em todo o país.“Os nossos combatentes (...) infelizmente, não conseguiram intercetar os mísseis balísticos russos. A razão para tal é a oferta insuficiente de mísseis intercetores”, referiu Zelensky nas redes sociais, lamentando que “enquanto os mísseis Patriot permanecerem nos arsenais dos nossos aliados, a Rússia sentir-se-á apenas incentivada a continuar a ‘derrotar’ edifícios residenciais. Os EUA e a Europa têm força suficiente para acabar com este terror”.Assim, o presidente ucraniano sublinhou ser “de importância crítica que o mundo - sobretudo os Estados Unidos e os nossos parceiros europeus - saia da Cimeira da NATO em Ancara com decisões firmes de apoio à nossa defesa aérea e, consequentemente, à proteção da vida das pessoas comuns”. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, pediu aos líderes da NATO para “protegerem as crianças ucranianas do terror balístico russo”, alertando que “todas as decisões sobre a defesa aérea são necessárias agora, não depois”. “Enquanto os líderes mundiais se dirigem a Ancara, gostaria que ouvissem o que as famílias em Kiev ouviram esta noite. Um dos ataques mais brutais, envolvendo dezenas de mísseis balísticos. Uma saraivada aterrorizante de fortes explosões, uma após a outra. Terroristas russos atacaram civis que dormiam, atingindo edifícios residenciais altos para causar o maior dano possível”, disse o líder da diplomacia de Kiev nas redes sociais, deixando ainda um novo apelo aos países da Aliança: “o tempo para medidas tímidas já passou”.Tal como já tinha feito na semana passada, Moscovo justificou este “ataque de precisão em grande escala” em retaliação “pelos ataques terroristas do regime de Kiev em território russo”, garantindo que os seus alvos eram “instalações do complexo militar-industrial e do setor de energia e combustíveis da Ucrânia, bem como contra aeródromos militares”. .Ataque mortal russo leva Zelensky a insistir que Kiev precisa de defesas aéreas.“As entregas de mísseis não podem parar”, pede Zelensky aos aliados