Nos comícios de Édouard Philippe durante a campanha para as municipais francesas não faltavam apoiantes do antigo primeiro-ministro com cartazes onde se lia “Votez Doudou!”, o petit nom que os amigos lhe atribuem. Ora a mensagem parece ter passado e a vitória de Philippe na segunda volta não só lhe garantiu a reeleição em Le Havre, a cidade portuária que liderou entre 2010 e 2018 e, de novo, desde 2020, como foi suficientemente expressiva - sem ser esmagadora, como lembrou a oposição - para servir de rampa de lançamento para o seu próximo objetivo: a presidência.E se ainda falta mais de um ano para as eleições que vão ditar o sucessor de Emmanuel Macron no Eliseu (uma vez que o presidente atingiu o limite de dois mandatos), a campanha, essa, deverá começar já. Philippe tem já na agenda um comício marcado para 12 de abril em Paris onde deverá começar a contar espingardas e reunir apoiantes. Mesmo se o grosso dos programas eleitorais dos candidatos não deverão ser conhecidos antes do final do verão. Neste momento, todas as sondagens colocam Philippe como o favorito a passar à segunda volta das presidenciais, mas sempre bem abaixo dos 20% dos votos e muito atrás do candidato do Reagrupamento Nacional, seja Jordan Bardella ou Marine Le Pen. Esta última aguarda a decisão, a 7 de julho, do tribunal sobre um caso de fraude que a viu condenada a cinco anos de inelegibilidade e arrisca ter de deixar o lugar ao jovem líder do partido de extrema-direita, depois de três candidaturas, tendo em duas delas passado à segunda volta. Numa segunda volta face à extrema-direita, Philippe é o único com hipóteses de ganhar, segundo as mesmas sondagens. Mais facilmente se for contra Le Pen, com mais dificuldades de for contra Bardella. .Olivier Faure sob pressão para cordão sanitário à França Insubmissa .Para já, o antigo primeiro-ministro de Macron e líder do Horizontes, o partido de centro-direita que fundou em 2021, pode celebrar a reeleição em Le Havre, depois de algumas sondagens terem vaticinado a sua derrota para o rival comunista. Philippe conseguiu 47,7% dos votos, face aos 41,2% de Jean-Paul Lecoq, apoiado pela esquerda. Em terceiro ficou Franck Keller, candidato da União das Direitas para a República (UDR, de Éric Ciotti, dissidente de Os Republicanos) e do RN. Foi a primeira vez que houve uma triangular na segunda volta das municipais em Le Havre. Philippe elogiou “a energia, a determinação e a ousadia” que “sempre sorri a todos aqueles, independentemente da sua origem, que se reerguem e voltam a ostentar o orgulho de serem habitantes de Le Havre e o orgulho de serem franceses”. Mas Lecoq fez questão de lembrar que foi “a primeira vez desde 1995 que o maire de Le Havre é eleito sem maioria absoluta”. E ironizou: “voltaremos a ver Édouard Philippe em Le Havre depois do seu primeiro comício para as presidenciais de 2027?”.Nascido em Rouen, no norte de França, não muito longe da cidade de que hoje é maire, Édouard Philippe passou a infância na Normandia antes de a família se mudar para Bona, na Alemanha, onde o pai, professor, foi colocado como diretor do Liceu Francês. De volta a França, entra primeiro no Institut d’Études Politiques de Paris e depois na École Nationale d’Administration. Desde cedo interessou-se pela política, tendo começado a militar no Partido Socialista. Formado em 1997, logo nesse ano entra para o Conselho de Estado, a mais alta instância para a justiça administrativa, mas paralelamente prossegue a carreira política. Afasta-se do PS e aproxima-se da direita, tornando-se conselheiro municipal e depois adjunto do maire de Le Havre. Com Alain Juppé participa na fundação da UMP, com os dois homens a manterem uma colaboração próximo nos anos seguinte, com Philippe a ser porta-voz de Juppé antes da primária para as presidenciais de 2017. Entre 2002 e 2004 Philippe dirige o partido neogaullista, antes de uma passagem pelo privado. Depois da sua vitória nas presidenciais de 2017, o centrista Macron escolhe-o para primeiro-ministro, tendo-se demitido em 2020, dias depois de ser reeleito maire de Le Havre. Pouco conhecido dos franceses quando chegou a Matignon, saiu de lá com uma popularidade maior do que a do presidente. Casado desde 2002 com a muito discreta Édith Chabre e pai de três filhos, Édouard Philippe anunciou a sua intenção de se candidatar às presidenciais do próximo ano numa entrevista ao Le Point em setembro de 2024. Questionado sobre que argumentos tem para derrotar Le Pen, na altura garantia: “Estou a preparar-me para apresentar propostas aos franceses. O que vou propor será de grande envergadura. Serão os franceses a decidir.” Agora os tribunais também têm uma apalavra a dizer. Mas os franceses têm pouco mais de um ano para pensar na sua decisão..“A França Insubmissa faz o elogio da violência mais do que o Reagrupamento Nacional”