O partido nacionalista hindu do primeiro-ministro indiano venceu pela primeira vez no estado de Bengala Ocidental, derrotando a formação liderada por Mamata Banerjee, que governava desde 2011 e é uma das maiores críticas de Narendra Modi. Para o chefe de governo é uma “vitória histórica”, mas para a derrotada é uma “vitória imoral”, devido a uma polémica purga nas listas eleitorais que deixou quase três milhões de muçulmanos sem poder votar.Em abril, mais de 154 milhões de indianos foram chamados a eleger as assembleias de quatro estados (Assam, Kerala, Tamil Nadu e Bengala Ocidental) e um território (Puducherry). Os votos começaram a ser contados na segunda-feira (4 de maio). O Partido do Povo Indiano (BJP, na sigla original) e os aliados reforçaram o poder em Assam e em Puducherry. No Kerala, a Frente Democrática de Esquerda foi derrotada pela Frente Democrática Unida (que inclui o Partido do Congresso, o maior da oposição) e, pela primeira vez desde 1977, os comunistas não estão no poder em nenhum estado indiano. E no Tamil Nadu o antigo ator tornado político Joseph Vijay surpreendeu tudo e todos e ficou à beira da maioria absoluta.Mas a joia da coroa nestas eleições era o Bengala Ocidental, onde vivem cem milhões de pessoas (27% delas muçulmanas) e onde os nacionalistas hindus nunca tinham ganho. Até agora. “Escreveu-se um novo capítulo sobre o destino do Bengala. Com a vitória do BJP, não se fala de retaliações, mas sim de mudança. Não se fala de medo, mas sim de futuro. Vamos pôr fim a este ciclo de violência”, disse Modi aos apoiantes na sede do partido, em Nova Deli.A vitória foi expressiva. O BJP aproveitou não só o cansaço dos eleitores com o governo de Banerjee, mas também a retórica contra os “infiltrados” (termo que se refere aos imigrantes muçulmanos bengalis do Bangladesh e à ameaça que representam) para conquistar 207 dos 294 lugares na assembleia regional. O partido de Banerjee não foi além dos 80. Mas a líder cessante do estado recusa admitir a derrota, acusando o BJP de uma “vitória imoral” e de ter “roubado” as eleições. “Se eles pensam que vão ganhar pela força e que eu vou renunciar, isso não vai acontecer. Nós não perdemos as eleições. É uma tentativa forçada deles de nos derrotar. Oficialmente, podem derrotar-nos através da Comissão Eleitoral. Mas, moralmente, digo-vos que ganhámos as eleições”, disse Banerjee, que perdeu no seu próprio círculo eleitoral. Em causa está a polémica Revisão Intensiva Especial, que foi feita pela Comissão Eleitoral. A oposição alega parcialidade desta comissão a favor dos nacionalistas hindus (eles negam). Na sua purga contra eleitores fraudulentos, falecidos ou duplicados, a comissão excluiu nove milhões de eleitores das listas (equivalente a 12%) no Bengala Ocidental, entre eles 2,7 milhões de muçulmanos que são obrigados a provar nos tribunais o seu direito ao voto (mas não antes das eleições). Segundo as estimativas, isso equivale a 4,3% dos votos, tendo o BJP vencido por 5%. Com esta vitória no Bengala Ocidental, o partido de Modi e os aliados já estão no poder em 22 estados - o equivalente a 78% do território e a 1,1 mil milhões de pessoas. De acordo com os analistas, o primeiro-ministro pode aproveitar para dar mais um passo para um Código Civil Uniforme (em vez da prática atual que permite aos indianos de diferentes religiões seguir leis específicas das suas crenças ou optar por um código secular). O BJP não consegue aprovar a política a nível federal, uma vez que não tem a maioria de dois terços no parlamento, mas pode fazê-lo nos estados em que governa..Narendra Modi toma posse para terceiro mandato como primeiro-ministro da Índia