O ex-presidente pró-russo Rumen Radev venceu de forma clara as eleições parlamentares de domingo na Bulgária, sendo que esta segunda-feira, 20 de abril, com 91,7% dos votos contados, o Bulgária Progressista já tinha 44,7%, o que sugere que poderá governar sozinho - esta é a primeira maioria absoluta de um único partido no país desde 1997.Este resultado deve colocar um ponto final na instabilidade política que levou a que estas fossem as oitavas eleições em cinco anos, mas também sinal de que o país, membro da União Europeia e da NATO, poderá aproximar-se da Rússia. Cenário que levou Bruxelas a reagir com apreensão ao resultado, ao contrário de Moscovo, e que já se deixa adivinhar com as palavras proferidas por Radev após a sua vitória, ao afirmar que “uma Bulgária forte e uma Europa forte precisam de pensamento crítico e pragmatismo”.“A Europa tornou-se vítima da sua própria ambição de ser um líder moral num mundo com novas regras”, declarou Radev, que se demitiu da presidência em janeiro para se poder candidatar às eleições deste domingo, tendo anunciado a formação do seu partido no início de março.Ao contrário do que aconteceu na passada semana com a vitória de Péter Magyar na Hungria - segundo o Politico, a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, demorou apenas 17 minutos após Viktor Orbán reconhecido logo no domingo a derrota para dar os parabéns nas redes sociais ao vencedor -, esta segunda-feira de manhã a Comissão Europeia recusou comentar o resultado das eleições búlgaras, alegando que “a contagem dos votos ainda está em curso”. Só depois de ser criticado pelos jornalistas pelo comportamento diferente mostrado em relação à Hungria perante o mesmo cenário, e questionado se tal mostrava alguma apreensão e falta de entusiasmo da parte da UE, é que o porta-voz adjunto do executivo comunitário, Olof Gill, se alongou mais sobre o tema, mas não indo além de um “a Comissão trabalha sempre com todos os governos da União Europeia para promover os interesses dos seus cidadãos e os interesses europeus”. Até esta conferência de imprensa ao final da manhã de ontem, o único líder comunitário a manifestar-se sobre o resultado das eleições búlgaras tinha sido António Costa, que terá de lidar com Radev - a quem deu os parabéns pela “sua expressiva vitória” - enquanto presidente do Conselho Europeu. “Como referi na nossa conversa telefónica desta manhã, aguardo com expectativa a oportunidade de trabalhar consigo no Conselho Europeu na nossa agenda comum para uma Europa próspera, autónoma e segura”, escreveu o português no X. Só mais tarde é que Ursula von der Leyen se manifestou publicamente, parabenizando Rumen Radev e lembrando que “a Bulgária é um membro orgulhoso da família europeia e desempenha um papel importante na resolução dos nossos desafios comuns”. “Espero poder trabalhar em conjunto para a prosperidade e segurança da Bulgária e da Europa”, referiu ainda a alemã.Já o Kremlin mostrou a sua satisfação. “É claro que nos sentimos encorajados pelas palavras do sr. Radev, que ganhou as eleições, bem como pelas de outros líderes europeus, relativamente à sua disponibilidade para resolver as questões através do diálogo”, disse esta segunda-feira o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov..P&R - Pode Rumen Radev trazer estabilidade à Bulgária após oito eleições em cinco anos?