Um vereador e seis polícias militares foram esta quarta-feira, 11 de março, presos preventivamente por suposta ligação ao grupo criminoso Comando Vermelho na cidade brasileira do Rio de Janeiro, numa operação que já deteve mais de 20 autoridades da "cidade maravilhosa".“Os elementos probatórios colhidos durante as apurações revelaram que os policiais militares alvos da operação utilizavam-se das prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício do crime organizado”, indicou, em comunicado, a Polícia Federal, detalhando ter evidenciado que os militares facilitavam a logística para o tráfico e para as milícias mas também ajudavam a proteger criminosos e a ocultar “proveito económico ilícito”.“Os investigados poderão responder, na medida das suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais”, frisou a Polícia Federal.Por outro lado, o vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa, ex-secretário municipal da Juventude do atual prefeito, é acusado de ter negociado diretamente com o traficante e um dos principais líderes do Comando Vermelho Edgar Alves de Andrade, mais conhecido como “Doca”.Em causa está a autorização para realização de uma campanha eleitoral numa comunidade carioca controlada pela facção criminosa.“Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região”, indicou a polícia do Rio de Janeiro, citada pela Agência Brasil.Mais de 20 agentes de diferentes forças policiais foram detidos esta semana no Rio de Janeiro em várias operações, no âmbito de investigações que apontam para a sua ligação ao crime organizado.As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio revelaram diferentes formas de cooperação entre os agentes e organizações criminosas, que iam desde a proteção de locais de jogos de azar ilegais até à extorsão de narcotraficantes e à intermediação para favorecer criminosos internacionais.Um dos casos revelou um grupo composto por polícias civis acusado de utilizar a estrutura de uma esquadra para exigir dinheiro a membros do Comando Vermelho.Noutra operação, os polícias são acusados de garantir a proteção armada de pontos do chamado jogo do bicho, bem como o funcionamento livre deste jogo de azar ilegal, impedindo ações policiais.