Sem tempo para ganhar fôlego após a cimeira do G7 em França, António Costa recebe esta quinta a sexta-feira (18 e 19 de junho) em Bruxelas os líderes dos 27 para o Conselho Europeu de junho, reunião onde irão analisar o inesperado apoio de Donald Trump ao comunicado final das sete maiores economias do mundo, onde é dito que “continuam unidas no apoio inabalável à Ucrânia na defesa da sua liberdade, soberania e integridade territorial”, comprometendo-se ainda a aumentar a “pressão sobre a economia de guerra russa”. Mas nem tudo serão sorrisos, pois os 27 terão pela frente um tema espinhoso: os biliões do próximo orçamento de longo prazo da UE, documento sobre o qual o português quer um acordo até final do ano. “A Ucrânia continua a ser uma prioridade na nossa agenda e iniciaremos a nossa discussão ouvindo o presidente Zelensky. A Ucrânia demonstrou um sucesso renovado no campo de batalha, enquanto a Rússia não consegue atingir os seus objectivos militares e estratégicos. O comportamento cada vez mais imprudente e irresponsável da Rússia em relação aos Estados-membros da UE é inaceitável e demonstra o oposto de força. A nossa abordagem dupla - apoio à Ucrânia e aumento da pressão sobre a Rússia - está a funcionar”, referiu Costa na carta-convite que enviou aos líderes dos 27.Esta reunião tem lugar na semana em que - após a Hungria ter levantado o seu veto, fruto da mudança de governo em Budapeste - foram abertas, finalmente, as negociações de adesão com a Ucrânia (e também a Moldávia). “Isto põe fim a um longo impasse no processo de adesão destes dois países. Juntamente com o impulso em relação aos Balcãs Ocidentais (...) há um novo ímpeto no processo de alargamento”, sublinhou o presidente do Conselho Europeu.Os líderes da UE irão ainda discutir a implementação da agenda de prontidão de defesa do bloco, com Costa a notar que “embora se tenham registado progressos em matéria de despesas e capacidades de defesa, ainda há muito a fazer”, já que, prosseguiu o português, “as recentes incursões de drones no espaço aéreo da UE, incluindo a queda de um drone russo carregado com explosivos na Roménia, realçaram a necessidade urgente de ações contínuas nesta área, incluindo através do reforço da fronteira leste da UE”.Outra questão debatida durante a cimeira do G7, e que será tratada pelos líderes dos 27, é o Médio Oriente, nomeadamente a situação no Irão, o anunciado acordo de paz (que é suposto abranger o Líbano) e o seu impacto nos preços da energia, mas também a situação dramática em Gaza e na Cisjordânia. Um tema em que também não existe uma frente unida - ainda ontem o líder da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, considerou que UE deveria “ser mais firme” na pressão sobre Israel, lamentando que os 27 não tenham aprovado sanções contra dois ministros de extrema-direita, que são “fator de perturbação”. Mas as grandes divisões deverão surgir na discussão sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual do bloco para 2028-2034, dossiê sobre o qual Costa já deixou claro que quer um acordo até final do ano, a pensar nas presidenciais francesas de 2027, que poderão vir a ser ganhas pela extrema-direita, que avisou que tenciona cortar para metade a contribuição de Paris para a UE. O primeiro sinal de que este prazo não será fácil de cumprir foi dado pelo Parlamento Europeu - de recordar que é precisa a aprovação conjunta dos eurodeputados e dos Estados-membros -, que, na terça-feira, considerou o projeto apresentado pela presidência cipriota, no final da semana passada, como “insuficiente”, criticando ainda os cortes de despesa propostos na ordem dos 32,8 mil milhões de euros. Os eurodeputados exigem um orçamento mais ambicioso, na ordem dos 1,79 biliões de euros - o equivalente a 1,27% do Rendimento Nacional Bruto da UE. Um valor acima dos 1,76 biliões sugeridos pelo executivo comunitário e muito distante dos 1,58 biliões da primeira proposta negocial da presidência cipriota.Dentro do Conselho Europeu são esperados momentos de tensão em vários temas, como se a Alemanha, os Países Baixos, a Suécia, a Áustria e a Dinamarca (que contribuem mais para o orçamento da UE do que recebem) devem continuar a beneficiar de descontos nas suas contribuições nacionais. Assunto que terá de ser decidido pelos líderes dos 27. Giorgia Meloni já garantiu que este desconto deveria ser abolido, caso contrário Roma iria exigir “mesmo privilégio”..Ucrânia tira protagonismo ao Irão no primeiro dia de Conselho Europeu.António Costa iniciou contactos diplomáticos com a Rússia