Volodymyr Zelensky anunciou que Kiev vai enviar alguns dos seus especialistas militares para o Médio Oriente para ajudar no combate aos drones e mísseis iranianos, nomeadamente os drones de ataque Shahed, que a Rússia tem usado contra a Ucrânia desde 2022. E que incumbiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministro da Defesa, as agências de informação e o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia de “apresentar opções para auxiliar os países relevantes e prestar ajuda de forma a não enfraquecer a nossa própria defesa”.“As nossas forças armadas possuem as capacidades necessárias. Especialistas ucranianos vão atuar no local, e as equipas já estão a coordenar esses esforços. Estamos prontos para ajudar a proteger vidas, defender civis e apoiar iniciativas concretas para estabilizar a situação e, em particular, restabelecer a segurança da navegação na região”, escreveu o presidente ucraniano no X na quarta-feira à noite. Zelensky explicou ainda, numa outra comunicação, que “os parceiros estão a recorrer a nós, à Ucrânia, pedindo ajuda na defesa contra os drones Shahed, com conhecimentos especializados e experiência operacional real. Também houve pedidos do lado norte-americano”.Neste sentido, o presidente ucraniano disse ter falado com os líderes dos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Jordânia e Kuwait, e que estavam planeadas conversações com outros líderes regionais do Médio Oriente. E que estão também em coordenação com os parceiros europeus. “Todos eles enfrentam um sério desafio e falam abertamente sobre ele: os drones de ataque iranianos são os mesmos Shaheds que têm vindo a atingir as nossas cidades, aldeias e as nossas infraestruturas ucranianas ao longo desta guerra”, referiu Zelensky no X, sublinhando mais tarde que “qualquer assistência que possamos dar é apenas na condição de que não enfraquece as nossas próprias defesas na Ucrânia e que serve como investimento nas nossas capacidades diplomáticas: nós ajudamos a proteger contra a guerra aqueles que nos ajudam a trazer à guerra um fim digno”. Este novo conflito no Médio Oriente obrigou ao adiamento de uma nova ronda de negociações mediada pelos EUA entre a Rússia e a Ucrânia, planeada para esta semana, depois de Zelensky ter dito há dias que ainda acreditava na sua realização, mas que seria necessário um novo local - inicialmente estavam previstas para Abu Dhabi. “Neste momento, devido à situação em torno do Irão, ainda não existem os sinais necessários para uma reunião trilateral. Mas assim que a situação de segurança e o contexto político geral nos permitirem retomar este trabalho diplomático trilateral, ele será realizado”, afirmou o líder ucraniano. .Negociações desta semana sobre a Ucrânia mantêm-se, mas é preciso novo local.Ucrânia e EUA discutem plano de recuperação pós-guerra ainda sem paz à vista