As Forças Armadas ucranianas anunciaram esta quinta-feira, 9 de julho, ter atingido durante a noite 12 petroleiros russos e duas outras embarcações no Mar de Azov, que eram utilizados para fornecer combustível aos militares russos e para transportar petróleo e derivados, contornando as sanções internacionais. Esta é mais uma ação de uma campanha que tem como objetivo interromper o abastecimento de combustível das forças russas e isolar a Crimeia, ocupada por Moscovo.De acordo com o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert “Madyar” Brovdi, ao longo de quatro noites, drones ucranianos de longo alcance atingiram 35 navios-tanque, navios de carga e “embarcações especiais” no Mar de Azov - 14 foram atingidos na noite de 9 de julho, nove na noite de 8 de julho, dez na noite anterior e dois na noite de 6 de julho. Volodymyr Zelensky revelou esta quinta-feira ainda que os soldados do Serviço de Segurança da Ucrânia atingiram duas bases petrolíferas em Stavropol e Tver, ambas a cerca de 500 quilómetros da linha de frente, mas também um armazém de reserva para acumulação e armazenamento de combustível a cerca de 800 quilómetros da linha da frente. “Em Ufa, na Rússia, foram aplicadas sanções a uma estação de bombeamento de petróleo a quase 1500 quilómetros da nossa fronteira. Além disso, foi sancionado um terminal de abastecimento de petróleo na região de Rostov, a cerca de 200 quilómetros da linha de frente”, prosseguiu o presidente ucraniano nas redes sociais.Os ataques da Ucrânia contra infraestruturas petrolíferas estão a ter um impacto real em várias zonas da Rússia, mas também na Crimeia ocupada. No início da semana, foi relatado pela Krymenergo, a empresa elétrica estatal da península, um apagão total, sendo que ontem a energia elétrica ainda não tinha sido restabelecida em vários distritos - como Dzhankoy, Krasnoperekopsk e Armiansk - enquanto que noutras áreas, como Feodosia, Yevpatoria, Simferopol e Kerch, a eletricidade estava a ser fornecida de forma faseada, dependendo da capacidade da rede elétrica. “Face à situação atual, não é possível informar quando será restabelecido o fornecimento de energia, uma vez que tal depende, em cada caso, da extensão dos danos na rede elétrica”, escreveu a Krymenergo numa publicação no Telegram. Estes apagões têm sido acompanhados de um aumento do preço dos combustíveis, devido à escassez causada pelos ataques ucranianos. O que levou o presidente russo, Vladimir Putin, a dar instruções ao seu governo para conceder subsídios aos habitantes da Crimeia, de forma a compensar o aumento dos preços dos combustíveis. Em declarações feitas na quarta-feira, e reveladas pelos media estatais russos, Putin solicitou ao Ministério das Finanças que efetuasse os pagamentos “o mais rapidamente possível”, argumentando que “os cidadãos não devem sentir o peso” da crise crescente.Moscovo anunciou ainda a proibição das exportações de gasóleo, numa tentativa de aumentar a disponibilidade de combustível no mercado interno face à escassez provocada pelos ataques aéreos relacionados com a guerra na Ucrânia.“A proibição das exportações de gasóleo entrou hoje em vigor, o que vai aumentar a oferta no mercado interno”, afirmou o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, na quarta-feira, numa reunião com Vladimir Putin dedicada à crise no setor energético.Troca de acusaçõesMoscovo acusou ontem a Ucrânia de prolongar a guerra com ofensivas à Rússia, enquanto o presidente ucraniano referiu que os ataques de longo alcance contra o país inimigo são uma “resposta à escolha” do Kremlin de manter a situação.“Quanto mais o regime de Kiev atacar as nossas infraestruturas, mais teremos de expandir a zona de segurança” na frente de batalha, disse o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.Reagindo a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a atual escalada de ataques com drones ucranianos de longo alcance contra território russo pode levar ao fim da guerra, Peskov considerou que o cenário provoca precisamente a reação contrária.“Vemos que existe uma certa confusão na Casa Branca sobre como a escalada, através da pressão militar, pode levar a uma solução pacífica. Esta é uma conclusão errada”, prosseguiu o porta-voz do Kremlin. “Uma escalada ainda maior irá provavelmente prolongar a operação militar especial”, acrescentou.O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, referiu-se ontem também ao prolongamento da guerra, afirmando que os ataques de longo alcance levados a cabo por Kiev contra alvos dentro da Rússia constituem precisamente uma resposta à essa escolha de Moscovo. “Nos últimos dias, foram realizados ataques significativos e bem-sucedidos contra instalações que apoiam o setor petrolífero russo e sustentam a sua política de guerra”, disse Zelensky numa mensagem divulgada nas redes sociais.Moscovo comentou também, através da sua diplomacia, a cimeira da NATO em Ancara, que terminou na quarta-feira, classificando como “irresponsáveis” os compromissos assumidos pela Aliança em favor da Ucrânia, acusando ainda os estados europeus de se prepararem “para um conflito armado” com a Rússia.Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo criticou os Estados-membros da Aliança Atlântica por tomarem “decisões irresponsáveis suscetíveis de conduzir a uma catástrofe” e por se concentrarem na “militarização do continente europeu”.De recordar que os líderes dos 32 países da NATO reiteraram na declaração final da cimeira o seu “apoio inabalável” à Ucrânia e anunciaram um financiamento de 70 mil milhões de euros este ano, comprometendo-se a manter níveis “pelo menos equivalentes” em 2027.Paralelamente, num encontro bilateral em Ancara com Volodymyr Zelensky, Donald Trump anunciou que pretende permitir que Kiev produza mísseis intercetores Patriot, algo que o presidente ucraniano tem vindo a pedir com insistência nos últimos seis meses à Casa Branca, sem sucesso, para fazer face aos ataques russos..“Um amor imenso”. Trump elogia NATO e promete a Kiev licença para fabricar mísseis ‘Patriot’ .Trump ofereceu a Putin ajuda para "saída rápida" da guerra